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Cachorro, gato, crianças: garanta a segurança de todos nas viagens de final de ano

Quem resiste a colocar todo mundo no carro, pegar a estrada e curtir um lugar diferente nos feriados do final de ano ou nas férias de verão? Você pode enfrentar tediosos congestionamentos para pular as sete ondinhas no Réveillon ou pode tentar fugir para um lugar mais tranquilo, mas, se tiver a oportunidade, não vai deixar de viajar pelo menos em um final de semana nos próximos meses, carto? Se for sua primeira viagem, não deixe de conferir estas dicas (na verdade, vale espiar as recomendações mesmo que você seja um viajante experiente).

Se for viajar com crianças ou animais de estimação (ou todo mundo junto!), é importante conhecer a legislação para não levar multas e garantir a segurança de todo mundo dentro do carro. Seguir a lei é fundamental, mas não é tudo! O que você quer, afinal, é uma viagem tranquila e prazerosa para todo mundo, certo?

Bebês e crianças

Em relação aos bebês e crianças até 10 anos de idade, antes de qualquer coisa, é fundamental garantir o transporte seguro e dentro da lei. Vale relembrar as regras, que são as mesmas para andar de carro dentro das cidades:

Bebês de até um ano devem utilizar o dispositivo chamado de “bebê conforto ou conversível”, no banco de trás, de costas para o motorista

Entre 1 e 4 anos, as crianças devem usar a cadeirinha, fixada no banco traseiro do veículo, virada de frente para o motorista.

 

Entre 4 e 7 anos e meio, as crianças devem ser transportadas no assento de elevação, no banco de trás, com cinto de três pontos sobre o peito e os quadris da criança.

 

Entre 7 anos e meio e 10 anos, as crianças devem usar o cinto de segurança de três pontos, posicionado na altura do peito e dos quadris, no banco traseiro.

Se o seu plano é fazer uma viagem longa com um bebê com menos de seis meses, a pediatra Dra. Priscila Zanotti Stagliorio recomenda uma consulta presencial com o médico da criança para que sejam avaliadas as condições gerais de saúde e feitas recomendações específicas. De qualquer forma, a médica considera “imprescindível fazer paradas para que a criança possa relaxar (os pais também), assim como oferecer “ar livre” e possibilidade de troca de roupas, alimentação e carinho aos pequenos”. Mesmo com crianças maiores, é importante programar intervalos em viagens longas “para que a criança relaxe, se alimente e hidrate, assim como estique pernas e braços”. Para protegê-las do sol dentro do carro, é importante usar o protetor solar indicado pelo pediatra, além de seguir as orientações sobre o jeito certo de aplicá-lo.

A película no vidro também pode proteger, mas deve-se prestar atenção à visibilidade exigida pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito): os vidros laterais traseiros devem ter 28% de índice de visibilidade. Podem, portanto, permitir menos passagem de luz do que os vidros laterais dianteiros (que exigem 70% de visibilidade) e o pára-brisa (que deve ter 75% de visibilidade). Outra opção para proteger os passageiros é usar algum dos modelos de cortina que é preso com ventosas ao vidro. Em relação a todos esses produtos, é fundamental verificar informações do fabricante quanto a proteção contra raios UV – nem todos oferecem este benefício.

Assim como os adultos, as crianças também podem se sentir enjoadas em viagens de carro. A Dra. Priscila enfatiza, porém, que os pais não devem medicar os pequenos sem antes consultar um pediatra. Ouvir dicas de quem não é médico ou buscar soluções na internet são atitudes que colocam em risco a saúde das crianças. Portanto, nunca é demais repetir: para planejar um passeio tranquilo, consulte o pediatra de confiança, que já conhece seus filhos, antes de viajar.

Usar celulares, tablets e DVDs como recurso de distração para os pequenos pode ser uma saída, mas é importante ter alguns cuidados: em caso de acidente, objetos soltos no carro podem machucar os passageiros. O som muito alto desses aparelhos também pode causar distração ao motorista, portanto, tenha bom senso e priorize sempre a segurança da sua viagem.

Animais de estimação

Se a sua família inclui bichinhos de estimação e o plano é levá-los na viagem, saiba que não basta colocar o cachorrinho no colo e partir rumo à estrada. O médico veterinário Luciano Granemann e Silva, proprietário da Clínica Cão.com, de Florianópolis, alerta: “A primeira coisa é em relação à documentação. De ônibus, avião ou carro, é obrigatório levar um documento chamado GTA (Guia de Trânsito Animal) e um certificado de vacinação anti-rábica, se o cachorro ou gato for maior de 3 meses”. Na estrada, uma fiscalização pode solicitar estes documentos.

Lembre-se que, na cidade ou em viagens, os animais não podem ficar soltos dentro do carro e nem no colo do motorista: “A recomendação é que o animal vá em uma malinha de viagem especial, que deve ser de uma altura que ele consiga ficar em pé e dar uma volta no próprio eixo. Nesse caso, ele pode ir no piso do veículo, atrás do banco, ou preso no cinto de segurança. Para os que preferem viajar fora da caixa, existem cestinhas que ficam presas ao cinto de segurança. E também existe um cinto de segurança próprio para animais”, sugere o Dr. Luciano. Para gatos, o veterinário considera a caixa indispensável: “Diferente do cachorro, o gato sabe que está protegido e fica confortável dentro da caixa”.

Uma dica importante é não deixar para experimentar no dia da viagem: “É legal fazer trajetos mais curtos, ir aumentando gradativamente para ele se acostumar ao cinto ou ao contêiner”, explica. Dessa forma, você já descobre antecipadamente se o seu bichinho é mais suscetível a enjôos: “Se ele já demonstrar desconforto e ansiedade em trajetos curtos, considere a medicação. O princípio ativo maropitant é considerado seguro e pode ser usado 30 minutos antes de viajar. Vai evitar tonturas e enjôos”.

Para evitar mal-estar durante a viagem, o ideal é fazer jejum de água e alimento por pelo menos 6 horas antes da partida. Na opinião do Dr. Luciano, o jejum é fundamental para prevenir os enjôos. Nesse caso, se a viagem durar mais de seis horas, leve água e biscoitinhos e ofereça em pequenas quantidades de tempos em tempos. É bom planejar paradas para verificar se está tudo bem com o seu companheiro de viagem.

Se o seu plano é ter uma viagem segura e prazerosa com toda a sua família, não tem jeito: um bom planejamento é essencial. Assim não só as crianças e os bichinhos ficam bem durante o trajeto, mas você também chegará ao seu destino com tranquilidade para aproveitar todos os bons momentos juntos.

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