No Volante

O que é direção defensiva e por que é importante?

Ser capaz de antecipar os fatos é o elemento fundamental da direção defensiva. Não se trata de ter um poder sobrenatural de prever o futuro, mas é simplesmente adotar uma série de comportamentos preventivos que têm como objetivos não provocar acidentes ou mesmo evitar, na medida do possível, envolver-se em acidentes provocados por terceiros. A direção defensiva, portanto, é um modo de direção que coloca a segurança em primeiro lugar.

A instrutora Anna Maria G. Prediger, que trabalha em Curitiba com motoristas habilitados, explica que os seguintes elementos fazem parte da direção defensiva: conhecimento (do carro, da via, de si próprio, das leis); atenção total ao trânsito e ao veículo; previsão (quem está prestando atenção consegue antecipar possíveis problemas); habilidade (desenvoltura com o veículo que está dirigindo); decisão e ação (ao perceber que algo pode provocar um acidente, tomar a decisão de evitá-lo e agir para isso).

Na prática, isso significa, por exemplo, que um motorista sempre deve programar antecipadamente quanto tempo leva cada viagem que ele vai fazer, considerando os imprevistos. Assim, ele não tem motivação para desrespeitar os limites de velocidade das vias que vai percorrer:

“Mesmo que a velocidade pareça tão baixa e que eu me sinta confortável para ultrapassá-la, eu preciso saber que existem motivos para aquele limite estar ali. Alguém estudou e chegou a conclusão de que é aquela a velocidade segura para aquela via. À noite ou diante de condições climáticas desfavoráveis, isso é ainda mais importante”

destaca o instrutor Paulo Roberto de Jesus, um dos fundadores do Icetran (Instituto de Certificação e Estudos de Trânsito e Transporte). Respeitar a distância recomendada em relação ao veículo da frente também é fundamental, sendo que ela deve ser ampliada se estiver chovendo.

Além de considerar o tempo, o condutor deve pesquisar o trajeto antes de sair, se estiver indo para algum lugar que ainda não conhece: “Não é só colocar no GPS. Se eu pesquisar antes, vou prestar mais atenção na via. Com mais atenção, diminuem as chances de eu me envolver em um acidente”, reforça Anna Maria.

Direção defensiva é auto-conhecimento, explicam os instrutores. É preciso reconhecer quando se está com sono, com estado emocional abalado ou mesmo sob efeito de algum remédio que parece inofensivo mas retarda os reflexos, como um anti-gripal. Nesses casos, o recomendado é não assumir o volante. “Se a pessoa teve uma discussão séria, ela sai e pega o carro, mas o problema vai junto com ela. Se fica querendo armar uma forma de responder, de reagir, ela não está prestando atenção ao trânsito. É melhor não pegar o carro”, recomenda Paulo Roberto. Bebidas alcoólicas também têm efeito negativo sobre a capacidade de dirigir – não é à toa que a combinação é reconhecidamente perigosa.

A prudência também está na maneira como você reage aos outros motoristas. Sua preocupação deve ser sempre evitar envolver-se em acidentes. Ou seja, cuide da sua segurança e não revide se perceber alguma atitude agressiva por parte de outra pessoa: “Às vezes a pessoa te corta e você se irrita, quer buzinar e xingar, mas esse comportamento pode trazer graves consequências: você não sabe quem está dentro do outro carro. Seja prudente. O importante é você ir e voltar com segurança”, alerta Paulo Roberto.

Se a manutenção do seu carro está em dia, você está saindo no horário programado, planejou o trajeto, está se sentindo bem, não se deixa distrair pelas imprudências dos outros ou pelo celular, está prestando atenção a tudo a sua volta (sem esquecer dos retrovisores!) e respeita todas as leis de trânsito, você pode se considerar uma praticante da direção defensiva! É claro que o exercício é diário mas, se não estiver em condições de atender a todos esses requisitos, o melhor é não assumir o volante. Afinal, não provocar ou se envolver em um acidente é o que mais importa, certo?

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