Mecânica

Quando comprar carro com câmbio automático vale a pena?

Fazer trocas de marcha com precisão e destreza pode ser um dos maiores desafios de quem está começando a dirigir. Se você imagina que um carro com câmbio automático ou automatizado seria uma solução para esta dificuldade, é melhor repensar. Ainda que o recurso traga mais conforto para quem está no volante, não é recomendável que você simplesmente não saiba operar um veículo com câmbio manual.

O consultor automotivo Rafael Spitaletti, fundador da empresa Car Hunters, é quem faz o alerta: “É legal ter pelo menos um ano de experiência com o câmbio manual e depois mudar para o automático. Se um dia precisar, em uma emergência, dirigir um carro reserva de uma seguradora, por exemplo, a pessoa pode ficar na mão”.
A regra não se aplica, é claro, a quem precisa adotar o câmbio automático por questões de saúde, já que algumas restrições de movimento ou enfermidades vão impedir o uso do câmbio manual.
Para quem não faz parte deste grupo, o câmbio automático ou automatizado passa a ser uma questão de conforto:

“O benefício é principalmente para quem dirige em ambientes urbanos, que tem uma rotina intensa de trânsito. É uma praticidade não precisar ficar prestando atenção às trocas de marcha”, explica Rafael.

Situações que exigem trocas manuais
Se decidir aderir à facilidade, o especialista recomenda cuidado em duas situações específicas: a primeira e mais importante são os declives, como descidas de serras. Neste momento, o motorista deve utilizar as trocas manuais para reduzir a marcha e evitar o uso excessivo dos freios. É uma medida de segurança, para não sobrecarregar os freios.
A segunda situação é em ultrapassagens: “Se está em uma via não duplicada, pode ser necessário reduzir a marcha para extrair força do carro. No câmbio automático, simplesmente acelerar não é o suficiente para ultrapassar de forma eficiente e segura”.

Como escolher o modelo?
O especialista explica que existe, basicamente, três tipos de câmbio automático: o 100% automático, que não tem embreagem; o automatizado, que tem uma embreagem robotizada no motor; e o CVT, que não tem marchas.
Como decidir o modelo a ser escolhido? Rafael dá duas dicas: primeiro, consultar um mecânico de confiança ou pesquisar em fóruns de internet informações sobre o modelo do carro e do câmbio que você está considerando. Outros consumidores daquele veículo poderão dar depoimentos sobre a qualidade, a performance e a sensação de dirigir. A segunda é dirigir os modelos e observar se as trocas de marcha são muito bruscas e como o carro se comporta em uma subida, por exemplo.
Se o objetivo é economizar, o câmbio automático pode não ser a melhor alternativa, já que eles tendem a apresentar um consumo de combustível um pouco mais expressivo e exigem manutenção específica, que pode ser mais custosa.

Como funciona?
Existem poucas variações entre os veículos no que diz respeito ao modo de funcionamento do câmbio automático. Eles têm quatro estágios: P (onde deve ficar quando o carro está estacionado); R (para dar a ré); N (equivale ao ponto-morto, que deve ser usado quando o carro está parado em semáforo, por exemplo); e D (para dirigir). Alguns modelos vêm com o estágio S, que faz com que o comportamento do câmbio fique mais esportivo.
Quase todos os modelos, segundo Rafael, vêm com a opção de trocas manuais através da alavanca ou do pedal shift, aletas atrás do volante em que, de um lado a marcha sobe e, do outro, ela desce. A transição para a troca de marcha manual é feita pelo acionamento das marchas.

E então? No seu caso, o câmbio automático ou automatizado vale a pena? Se você já dirige um, conte sua experiência nos comentários.

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