Após a morte do pai, ela decidiu mudar de profissão para conscientizar motoristas

Amarah Leão é formada em Jornalismo, mas decidiu virar educadora de trânsito

Formar motoristas cidadãos, que dirijam com segurança e responsabilidade: essa é a missão que Amarah Leão definiu para si mesma há cerca de 3 anos, logo depois de perder o pai em um acidente de trânsito.

Até aquele momento, Amarah atuava em sua área de formação, o Jornalismo. Foi repórter e assessora de imprensa em São Paulo, onde vive há 8 anos. A perda foi a motivação para a mudança: Amarah tornou-se instrutora de trânsito – ou educadora, como prefere dizer. “Ouço muitas críticas, já que sou formada e depois optei por uma profissão que eu percebo que não é tão valorizada”, ela conta, sem demonstrar qualquer sinal de arrependimento ou dúvida sobre suas escolhas.

“Na minha concepção, tenho um papel social importante como educadora”,

reflete.

 

Da paixão de infância à profissão

 

Desde adolescente, Amarah era apaixonada pela direção. Seu pai trabalhava como condutor de caminhão e, nos momentos de lazer, deixava a filha pegar a chave do carro, sentar no banco do motorista e brincar de assumir o volante. A mãe, que nunca dirigiu, incentivava. A resistência vinha dos irmãos, que diziam que, por ser mulher, Amarah jamais seria capaz de conduzir um caminhão. Mais tarde, foram obrigados a dar o braço a torcer. Hoje, a motorista exibe com orgulho a carteira de habilitação com permissão para dirigir veículos de todos os tamanhos: de motocicletas a bitrens.

Os comentários depreciativos que ouviu dos irmãos quando começou a aprender a dirigir, porém, ficaram marcados na memória. Ao decidir tornar-se educadora de trânsito, Amarah pensou que seria importante focar no público feminino. Ela sabe que muitas mulheres escutam ao longo da vida que não são capazes de assumir a direção de um veículo e, por isso, chegam às auto-escolas fragilizadas, com muito medo de não conseguirem aprender. Ela atuou como instrutora em uma empresa dedicada a ajudar mulheres a superarem dificuldades específicas no trânsito: trocar de marcha, estacionar, arrancar em uma ladeira, por exemplo. “Eu percebia que muitas delas não se sentiam capazes porque alguém foi lá e plantou essa ideia na cabeça delas: que iam bater o carro, que eram burras”, comenta.

 

Desafios para todos

 

O que Amarah notou, ao trabalhar em centros de formação de condutores, é que as dificuldades, na prática, são as mesmas para homens e mulheres:

“As mulheres pensam que é diferente, mas não: os homens também ficam nervosos, também chegam sem saber regular o retrovisor, ajustar a altura do banco, ligar uma seta, estacionar”.

Cada pessoa tem um desafio diferente ao encarar o trânsito e o que importa, no final das contas, é que todos reconheçam sua responsabilidade e contribuam para a segurança nas cidades e nas estradas.

“Minha satisfação é ver alguém tornar-se um motorista melhor, mais responsável e mais feliz”

, ela conta.

 

Rede de apoio

 

Com essa vontade tão grande de ajudar as mulheres a conquistarem seu lugar no trânsito, não é surpresa que Amarah seja uma grande fã da página Petrobras De Carona com Elas. Ela acredita que as histórias compartilhadas ajudam as pessoas a não desistirem, a acreditarem em seus sonhos. Na sua vida, o apoio da mãe foi e ainda é muito importante: “Ela sempre dependeu dos outros para levá-la e trazê-la de todos os lugares, então ela fica muito maravilhada comigo”, conta.

Pode ser a mãe, uma amiga, uma professora ou alguém que conhecemos em uma página legal no Facebook: o importante é que, com o apoio e incentivo de outras mulheres, sempre conseguimos ir mais longe e superar nossos próprios limites, certo?

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