Como se preparar para uma viagem sozinha

A Gaía conta histórias de suas viagens pelo mundo e dá dicas para viajantes solo.

Da série

Eu nunca pensei tanto no assunto viagem sozinha quanto nos últimos meses. Explico: lancei um livro com histórias pessoais das minhas viagens sozinha e comecei a responder perguntas sobre o assunto. É um tema que passa por questões de feminismo, economia e identidade cultural e que em inglês tem um nome sonoro: female solo travel.

Acontece que viajar sozinha, pra mim, sempre foi mais um jeito de viajar e menos um tipo de afirmação. Não ter companhia era um detalhe para o qual nunca dei muita atenção. Claro que já bateu vontade de ter namorado, amigos, meu filho por perto. E claro que já viajei com essas companhias também. Mas sempre que a companhia faltou por qualquer motivo, nunca me pareceu um impedimento para viajar. Na verdade, dá pra dizer que várias vezes foi um detalhe feliz.

Estou escrevendo para o Petrobras De Carona Com Elas da Cidade do México, onde estou a trabalho com um grupo de mais 17 pessoas. Daqui, vou pra Oaxaca – e aí, sim, vou sozinha! Nessa escolha está o primeiro passo de uma viagem solo: o destino.

Porque escolhi Oaxaca? Porque essa cidade no sul do México junta num mesmo lugar as coisas sobre viagem que mais amo: clima quente, muita história, natureza e boa comida. É uma chance de aprender uma porção de coisas novas sobre esse país enorme e impressionante que é o México. Também é uma cidade colonial histórica e movimentada, acostumada a receber visitantes. É um lugar onde não vou me sentir insegura por estar sozinha – afinal, essa é uma viagem para relaxar e descansar. E pra pra escolher o destino contei com dicas de amigas e amigos que já estiveram por lá.

Mas não me sinto sozinha? Não tenho medo? Não receio o que as pessoas vão pensar? Sim, sim, e não. Claro que tenho medos. Todas temos. Tenho medo de ficar doente, de perder voo, de ter escolhido mal o lugar, de gastar dinheiro que vai faltar, de carregar bagagem pesada. Quanto à solidão, bom, todo mundo se sente sozinho. Quantas pessoas não se sentem sozinhas estando dentro de uma relação, ou cercadas de gente? Solidão é parte da vida e lidar bem com ela é uma das melhores escolhas que você pode fazer por você mesma.

Por fim, não receio o que as pessoas vão pensar. Um medo que não tenho é de ser julgada por ser mulher sem ter um homem pra validar minhas decisões. É claro que falo isso como uma mulher independente sul-americana, branca, de classe média. Enxergo que há infinitos cenários que não permitem que mulheres desfrutem desse privilégio que é viajar com a própria cabeça (os próprios pés, o próprio coração). É justamente por reconhecer esse privilégio que acho importante falar sobre o tal do solo female travel e quem sabe inspirar outras minas a planejarem suas próprias viagens por aí.


Para elas, gostaria de dar três conselhos:

1. Se Baste


Não queira, persiga ou conte com aprovação de ninguém. É mais fácil falar do que fazer, claro. Mas na viagem é como na vida: se você não agir pensando em como as pessoas vão reagir, se for fiel aos próprios valores e crenças, estando aberta a entender e respeitar os valores e crenças (e espaço) do outro, você tem pouco a temer.

2. Esteja Segura


Tenho os dois pés atrás com essa coisa de tratar o mundo como um playground particular. O mundo é maravilhoso, sim. E quase todo mundo que você vai encontrar pelo caminho é do bem. Até que uma hora não é. A solução pra isso não é se trancar em casa e não acredito em soluções inócuas que aparecem em guias do viagem do tipo “use alianças para fingir que é casada”.
A solução é entender onde você está indo, compreender os códigos culturais e tentar não chamar a atenção de forma que possa te colocar em risco. Prestar atenção ao redor, agir com sensatez. Pensar rápido e pedir ajuda quando se encontrar numa situação potencialmente perigosa ou desconfortável.
Ah, também não custa nada manter um backup dos seus documentos e deixar seus amigos e família informados sobre onde e como você vai.

3. A Internet é Sua Amiga


Tem a ver com os dois itens acima. Claro que nada substitui a experiência in loco, mas informação ajuda muito. Empolgue-se, leia, aprenda, pergunte, converse, faça amigos. Há centenas de grupos de Facebook para viajantes, existem milhares de fóruns de discussão de viagem em websites, onde as pessoas compartilham informações. E você vai se espantar com a boa vontade de outras viajantes em compartilhar suas histórias e dicas.
Fazemos isso porque sabemos como o mundo lá fora pode ser difícil para nós, mulheres. E por isso mesmo é uma alegria ver mais mulheres quebrando preconceitos dos outros e delas mesmas, para garantir nosso lugar no mundo.

Caia na estrada, amiga!

Veja Mais:

Em vídeo, Gaía responde: Conselho para viajar sozinha?

Gaía Passarelli
39, paulistana, escritora, autora do “Mas Você Vai Sozinha?” em que conta histórias de suas viagens pelo mundo e dá dicas para viajantes solo.
Blog: http://www.gaiapassarelli.com/mas-voce-vai-sozinha/
Twitter/Instagram: @gaiapassarelli
Facebook: /GaiaCPassarelli

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