Ela ajuda outras mulheres a vencerem o medo de dirigir

Claudia analisou mais de 1,7 mil prontuários para identificar o perfil de quem procura ajuda

Há vinte anos, Claudia Ballestero aceitou o convite de uma amiga para trabalhar com algo até então inédito no Brasil: ajudar pessoas a superar o medo de dirigir. A psicóloga, que ainda dava os primeiros passos na carreira dedicando-se ao público infantil, aceitou na hora o novo desafio. “Não costumo dizer não para as oportunidades”, lembra.

Assim, ela foi a primeira psicóloga a se juntar a Cecilia Bellina, idealizadora da Clínica Escola Cecilia Bellina. Cecília iniciou em 1994 a atuar com foco em pessoas com medo de dirigir e, em 1997, inaugurou sua primeira escola. “Eu sempre tive um lado acadêmico, mais apegada à teoria, fazendo um equilíbrio com o método desenvolvido pela Cecília”, conta Claudia. Hoje, a clínica escola tem oito unidades espalhadas em três estados do Brasil (SP, RJ e MG) e inspirou o tema da tese do mestrado de Claudia, pela Faculdade de Medicina da USP.

Durante o seu estudo, Claudia analisou 1,7 mil prontuários para identificar o perfil de quem procura ajuda e de quem desiste do tratamento. A pesquisa, a maior do mundo sobre o assunto, concluiu algo que a psicóloga já sentia no dia a dia: 96% das pessoas que procuram a clínica são mulheres, com idade média de 41 anos. Explicações não faltam. Estatisticamente, elas desenvolvem mais transtornos de ansiedade, dentre os quais, o medo de dirigir. Além disso, existe o fator cultural:

“O mundo das rodas é apresentado muito precocemente para os meninos, mas não para as meninas. Comprar um carro, para o homem, é algo normal durante a vida, mas, para as mulheres, é algo inusitado”, avalia.

Ainda segundo a especialista, os homens têm mais dificuldade de admitir medos: “O medo de não saber fazer uma ação muito masculina e o preconceito com o tratamento explicam porque a procura é tão baixa por parte deles.”

O tratamento dura cerca de nove meses e contempla aulas práticas de direção, aulas teóricas e sessões de terapia em grupo. “Mais do que perder o medo e aprender a dirigir, elas precisam apropriar-se da direção. Ou seja, saber trocar um pneu, escolher a gasolina, calibrar o pneu”, explica. Sobre quem abandona o tratamento antes de concluí-lo, uma constatação curiosa: pessoas do estado civil separado tendem a desistir mais facilmente. “O estímulo social, o apoio das pessoas ao redor, isso é essencial para quem procura superar um medo”, observa Claudia.

Dirigir é poder! A psicóloga chama atenção para a relação de empoderamento e autonomia com o ato de dirigir. “As mulheres saem do tratamento muito mais empoderadas, com a autoestima lá em cima e mudam até o jeito de se vestir”, revela. Quando a insegurança é superada, as mulheres criam outra dependência, mas, desta vez, saudável: “Eu, Claudia, não vivo sem carro. É como se eu estivesse sem minhas pernas”, finaliza.

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