Ela assumiu o volante com o apoio da mãe e com a intenção de inspirar a filha

Flávia Maria Nascimento ficou cinco anos sem dirigir por medo de estragar o carro do marido

Você conhece alguma mulher que tirou a carteira de motorista e, em seguida, abandonou o sonho de dirigir por causa de algum medo ou falta de apoio? Flávia Maria do Nascimento, 37 anos, viveu essa história e, hoje, tem confiança para transitar entre as estradas que levam às praias paradisíacas nos arredores de Porto de Galinhas (PE), onde vive com a família. O que mudou? Maria José, a mãe de Flávia, decidiu que era hora de iniciar um novo capítulo na vida da filha, com mais autonomia e liberdade.

“Eu era habilitada desde 2011, e minha mãe vivia insistindo para que eu dirigisse, mas eu tinha medo de sair com o carro do meu marido. Aí ela decidiu que me daria um carro de presente! Ela pagou o valor da entrada e eu pago as prestações. Agora temos um carro que é nosso”, comemora Flávia, que passou cinco anos sem assumir o volante. A pernambucana conta que o marido sempre teve carro, mas não a deixava dirigir por temer que a motorista novata causasse algum estrago. O casal tem um filho, Pedro, de 10 anos, que tem autismo, e o veículo é fundamental para o dia-a-dia da família. Flávia também é mãe de Gabrielle, que tem 20 anos e mora com a avó.

Inspiração que passa de geração para geração

“A minha mãe é uma guerreira. Meu pai se separou dela quando eu e meus irmãos éramos adolescentes, e ela segurou a barra sozinha, trabalhando em uma barraca na praia para nos sustentar”, conta Flávia. A admiração por Maria José virou companheirismo – não foi à toa que a mãe quis dar um carro de presente para a filha. Agora, Flávia pode levar Maria José em passeios para a praia ou para o sítio. “Tudo que eu faço é por ela e pelos meus filhos”, declara.

É claro que um carro é muito mais do que um carro. O presente que Flávia ganhou da mãe é muito maior:

“Agora eu tenho liberdade. Liberdade de não depender dos outros. Meu marido é muito companheiro, mas nem sempre ele está a fim de fazer as mesmas coisas que eu. Agora eu não preciso esperar. Eu tenho autonomia”.

Ao assumir o volante, Flávia também espera inspirar a filha a seguir seus sonhos, começando por motivá-la a aprender a dirigir sem medo. Nos últimos meses, a família tem sofrido com o luto da perda do bebê de Gabrielle, que nasceu prematuro e viveu apenas uma semana. Flávia acredita que a habilitação como motorista pode representar, também para a filha, o início de um novo capítulo.

O filho é outra motivação de Flávia para dirigir: “Andar de carro é como uma terapia para ele. Às vezes é até difícil fazer o Pedro descer do carro. Ele ama viajar. Eu e meu marido já passeamos por quase todo o Brasil com ele!”.

Para viver bem, todo mundo precisa cuidar um pouco de si também, e Flávia não é diferente. Ainda que dirigir pelos outros seja a verdadeira felicidade para a pernambucana, ela confessa que gosta de pegar o carro sozinha: “Eu coloco um sonzinho e aproveito para pensar um pouco em mim”.

De volta à direção

Depois de ficar tanto tempo sem dirigir, Flávia admite que estava um pouco nervosa de retomar o volante. Antes de sair por aí com o novo carro, tentou ter umas aulinhas com o marido, mas desistiu. Preferiu outra estratégia: buscou vídeos na internet com dicas e foi treinar sozinha em uma estradinha de acesso ao sítio da mãe. “Algumas pessoas se ofereceram para ajudar, mas na hora ninguém apareceu. Eu decidi que ia praticar por minha conta mesmo”, conta. No começo, deu vontade de desistir.
Flávia conta que ficou com medo: das primeiras vezes, descia do carro tremendo as pernas “como uma vara verde”. Para quem está precisando ganhar coragem, a motorista tem uma dica:

“O medo existe para todo mundo, e ele até é importante para nos proteger, mas nós precisamos enfrentar o medo. O querer é mais importante do que tudo.”

Às vezes, como no caso de Flávia, são as outras pessoas que nos inspiram a enfrentar aquilo que tememos. Pensar nelas pode nos dar forças para ir além do que imaginamos. E na sua vida, quem são as pessoas que impulsionam transformações positivas?

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