Ela cresceu no automobilismo e tornou-se a mulher que mais venceu corridas no Brasil

Cristina Rosito, 50 anos, frequenta autódromos desde criança e seguiu a paixão e os passos do pai

Aos 7 anos, Cristina Rosito aprendeu a manobrar o carro de corrida do pai, o piloto Raffaele Rosito. Aos 11, competia de moto. Aos 14, começou a competir de Kart. Aos 16, recebeu uma autorização especial para dirigir em competições, mesmo ainda não tendo idade para obter a carteira de motorista. Suas recordações de infância são no autódromo: “Minhas lembranças são de andar de bicicleta e brincar de pegar no autódromo, com o meu pai treinando”, relembra. “Eu gostava de corrida, de jogar bola, de tudo que os meninos faziam. Os brinquedos de menina não me agradavam muito. Quando meu pai chegava, eu corria pela casa de capacete. Eu adorava sentar no carro e ficar balançando a chave”, conta a piloto.

O pai, é claro, incentivava a paixão precoce da filha pela velocidade. A mãe, mesmo contrariada e preocupada com a possibilidade de ocorrer algum acidente, apoiava. Entre risadas, Cristina conta a recomendação que ouvia da mãe antes de sair para as corridas: “Corre devagar!”. O conselho não fez muito efeito: “Tudo o que você pode imaginar, eu pilotei. E ganhei tudo. Sou a mulher que mais venceu corridas no Brasil. Atualmente, além de correr na Fórmula Truck, eu piloto na Superbike também”. Correr devagar, realmente, não é a especialidade da piloto.

O percurso é cheio de obstáculos. Quem pensa que a vida no automobilismo é só glamour, se engana: “Tem que ter um belo preparo físico, tem que estar focada o tempo inteiro. Na corrida de moto, é ainda pior, porque qualquer erro a gente cai. No carro, também pode ter algum imprevisto. Tem que ter uma estratégia perfeita para nada dar errado. Tem que ter uma boa equipe e um bom carro. Tem que ter patrocínio, porque é um esporte caríssimo. Não é uma vida fácil. Tem que treinar toda semana e tem corrida no final de semana. Tem que participar de reuniões”. Disciplina, foco e confiança em si mesma são os ingredientes de Cristina para vencer todos esses desafios. A recompensa? “Eu gosto da adrenalina, da disputa, de desenvolver o carro”.

Tanto quanto a adrenalina, o que move a piloto também é perceber que, com o tempo, virou referência: “Muita gente gosta de me apoiar, eu recebo muitas mensagens e acho isso muito bacana porque é resultado do meu trabalho”. Aos 50 anos, Cristina já contabiliza 40 anos nas pistas e sente que está na hora de dar um novo tipo de retribuição para o público: a partir do ano que vem, será instrutora na Escola Gaúcha de Pilotagem. O primeiro curso, em janeiro, terá como tema a direção defensiva – algo que pode contribuir para melhorar o trânsito fora dos autódromos.

Ela reconhece a importância do seu papel também porque são poucas as mulheres que ingressam nessa carreira. Para as que se interessam por velocidade, Cristina Rosito é um exemplo e uma prova de que é possível conquistar o sucesso, mesmo com tantas dificuldades:

Eu tive que me firmar vencendo duas vezes, por ser mulher. Ouvi muitas vezes que eu deveria pilotar fogão. Alguns homens iam à loucura ao perder para mim.

Ela observa avanços, mas critica a desigualdade entre homens e mulheres em relação a salários e reconhecimento profissional.

Um bom sinal, acredita, é que muita coisa evoluiu desde a sua infância:

Antes se dizia que coisas azuis eram de menino e cor-de-rosa eram de menina. Hoje isso não existe mais. No esporte, a gente vê meninas lutando judô, jogando futebol, e isso é muito legal. Eu acho que a família deve apoiar sempre que a criança quiser fazer algum esporte, qualquer esporte. O esporte é fundamental na vida de uma criança. Traz disciplina e saúde”.

Foi por meio do esporte que Cristina desenvolveu muitas das habilidades que a ajudaram a superar outros obstáculos e dificuldades. Mesmo que seu objetivo não seja vencer um campeonato, vale ouvir a dica da campeã para conquistar qualquer vitória que você esteja buscando: uma dose de disciplina, foco e confiança podem ajudar qualquer uma de nós ir mais longe na direção que queremos para a nossa vida.

Cristina Rosito é uma das convidadas do talk show De Carona com a Liv, em que a apresentadora-mirim conversa com três mulheres inspiradoras sobre como é trabalhar em áreas tão diferentes – e, também, claro, sobre brincadeiras favoritas. Uma das brincadeiras favoritas de Liv? Correr como o Sonic, personagem de videogame que tem como super poder a velocidade! Se a paixão por skate e patins vai se transformar em paixão por outros veículos quando ela crescer, ainda não é possível prever. O que dá para saber é que a menina de 5 anos que conquistou a internet com seus vídeos é, hoje, muito feliz brincando com todas as brincadeiras de criança de que mais gosta.

A entrevista faz parte da campanha “Ela vai dirigir o que quiser”, em que a menina também conversou com Vera Egito, diretora e roteirista de filmes de cinema e publicidade, e Vanessa Martins, que dirige uma oficina mecânica referência em sustentabilidade. Para Cristina, participar da campanha com a Liv é motivo de orgulho: “Essa conversa só demonstra isso: que qualquer pessoa pode fazer o que quiser. Basta ter vontade e acreditar nos seus sonhos. Acho que essa campanha nos dá força e nos encoraja cada vez mais”, comemora.

Assista a todos os vídeos no site da campanha!

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