Ela dirige uma escola rural e dá aula para crianças do primeiro ao quinto ano, sozinha

Edivânia aprendeu a dirigir moto para conseguir cursar a faculdade de Pedagogia

“Eu fui. Com medo, mas fui. E se eu consegui, outras também conseguem.” Com essa frase, Edivânia Silva poderia estar se referindo a qualquer um dos muitos desafios que já superou, mas está falando especificamente de um: a primeira vez sozinha ao volante.

Professora de uma escola rural no interior do Espírito Santo, Edivânia aprendeu a dirigir moto para conseguir cursar a faculdade de Pedagogia. Mas, mesmo depois de tirar a carteira, ela ainda tinha medo de pegar o carro na BR, especialmente a ponte sob Rio Doce. “É uma ponte de concreto. E é até pequena, mas pra mim parecia a Ponte Rio-Niterói”, lembra.

Até que um dia, Edivânia não teve escolha. Ela precisava ir até a cidade para um compromisso da escola e não conseguiu carona de jeito nenhum:

Pedi pro meu marido me levar, mas também não podia. Ele disse pra mim: ‘você tem a carteira e o carro na garagem. Vai!’ Pedi ajuda pra Deus e fui. Parecia que tinha atravessado um oceano.

Hoje, dirigir o carro é uma das coisas mais simples que a capixaba tem que fazer no seu dia a dia. Na escola municipal Palhal, são só ela e uma merendeira. Por isso, Edivânia cumpre com todas as funções administrativas – além de dar aula para todas as séries em uma única sala, simultaneamente. “No mesmo horário, na mesma sala, estou trabalhando sobre água no terceiro ano, uma atividade mais difícil no quarto e sistema circulatório no quinto. Essa mistura de conteúdos confunde, claro. Mas com o tempo a gente acostuma e já não fica tão difícil”, explica a professora, que precisou inventar seu próprio método de ensino, começando por quem tem mais dificuldade.

O carinho que tem com as 21 crianças da escola faz de Edivânia uma pessoa da família. “A escola na roça é uma extensão da casa da gente, tanto pra mim quanto para os alunos. Muitos me chamam de mãe, pai, vó, de tão próxima que é a convivência.” E nada de professora disputando atenção com as redes sociais. “Já sei até o dia que recarrega a internet deles. Mas eles preferem acessar em casa ou no final de semana”, conta.

Uma escola sem muros, onde alunos não mexem no celular e pedem a benção antes de começar a aula. Edivânia jura que eles reclamam quando entram em férias e detestam feriados longos. O segredo? É simples. “Eu adoro criança. Me sinto realizada quando elas aprendem e se desenvolvem”, conta, orgulhosa.

Edivânia encarou a direção da mesma forma que venceu os outros desafios da vida. De frente, com coragem e muita fé. Não é uma história inspiradora? Ela também está no calendário Petrobras De Carona Com Elas 2018, que já está disponível para download no link.

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