Ela encontrou na corrida a energia para vencer a depressão após a luta contra um câncer

Franci Ribeiro, 36 anos, recebeu o diagnóstico da doença no dia do seu aniversário de 33 anos

Até os 32 anos de idade, Franci Ribeiro gostava de praticar exercícios, mas não imaginava que seria capaz de correr. Mãe de duas meninas, casada, ela trabalhava como professora em Tefé, no interior do Estado do Amazonas. Franci também não imaginava que, ao longo do ano seguinte, sua vida passaria por uma grande reviravolta: a descoberta de um câncer, a necessidade de realizar tratamentos em Manaus, a perda temporária da voz devido à cirurgia, a separação do marido e, enfim, a depressão. “Foram três meses bem difíceis para mim. Eu não entendia que tristeza era aquela. Eu chorava, não dormia. Até que um dia liguei para a médica e fui encontrá-la no hospital: ela me explicou que eu estava em depressão”, conta Franci.

A condição havia sido causada pela suspensão temporária da medicação de reposição hormonal, necessária no caso de Franci após a remoção da glândula tireóide. Após a descoberta, a professora tomou uma decisão: “Coloquei na cabeça que ia cuidar mais de mim mesma”. Além de seguir com tratamento médico e buscar ajuda espiritual, Franci comprou um par de tênis e foi correr na pracinha do bairro onde estava hospedada, em Manaus. “Na minha cidade, as pessoas falavam que eu estava à beira da morte. Quando voltei, era outra pessoa. Todos ficaram surpresos em me ver e vieram me dizer como eu estava bonita. Eu ficava feliz. Vi que a corrida estava fazendo muito bem para mim”, relembra.

Quem conhece a Franci hoje, garante, nem imagina pelo que ela passou recentemente: “É muito fácil olhar para mim, me ver sorrindo e imaginar que nem passei por tudo isso”. O que mudou, é claro, não foi apenas a inclusão da corrida na rotina. Na verdade, foi a compreensão de que todas as coisas da rotina são importantes: “Aproveito cada minuto da minha vida. Valorizo muito um abraço, uma conversa, estar com a minha família, especialmente as minhas filhas. Se aparecer um Príncipe Encantado, só me interesso se também for corredor”, diverte-se.

Com a corrida vieram outros benefícios além da sensação de bem-estar: Franci conta que aprendeu a ter disciplina, mudou outros hábitos, ficou mais forte. Uma das principais lições, porém, pode nos inspirar diante de qualquer desafio ou desejo: “Para quem me fala que não consegue correr, eu digo: se tentar um pouquinho todo dia, vai conseguir!”. Para Franci, o fundamental é não viver de acordo com o que outras pessoas pensam: “Se for pelos outros, a gente fica no nosso cantinho, não sai, não tem iniciativa. Eu, por exemplo, parei de pensar nas outras pessoas, parei de pensar no meu ex, e comecei a pensar em mim e lutar pela minha vida e pelas minhas filhas”. A corredora conta que, no começo, não imaginava que conseguiria correr 5 ou 7 quilômetros – hoje, mesmo exausta, não deixa de lado o exercício. Ela conta que se inspira em um amiga que já correu uma maratona: “Eu olho para ela e penso: Nossa! Um dia, quem sabe?”.

Franci gosta de admirar as conquistas das amigas e também de contar a própria história, esperando que ela possa servir de exemplo para outras pessoas. Ela sabe reconhecer a própria força e atribui à fé a capacidade de levantar diante das maiores dificuldades. Ter pessoas que nos inspiram ao nosso redor e saber perceber o quanto podemos ser fortes são combustíveis que nos impulsionam. A vida é repleta de desafios que precisamos encarar para nos tornarmos uma versão melhor de nós mesmos, como fez Franci. Algumas vezes, passamos por perdas ou outras situações negativas que geram transformações no nosso jeito de encarar cada pequena coisa do nosso dia-a-dia. E você? Como faz para recuperar a direção da sua própria vida diante de grandes desafios? Quais exemplos servem de inspiração para você ir além do que você mesma imaginava ser possível?

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