Ela encontrou na maternidade uma forma diferente de trabalhar e apoiar outras mães

Cíntia Aleixo decidiu dar uma nova direção à carreira de psicóloga após o nascimento da filha

Cada mulher tem um jeito diferente de lidar com a questão da maternidade. Se decidir ter filhos, cada uma também enfrentará essa transformação à sua própria maneira. Mesmo que as fotos em redes sociais só mostrem os melhores momentos, na vida real, o cotidiano é desafiador para todas. Foi vivendo essa experiência na pele que a psicóloga Cíntia Aleixo, 37 anos, natural do Rio de Janeiro, percebeu o quanto é difícil encontrar espaços para conversar sobre as dificuldades da maternidade real, não idealizada: “O que eu via na internet eram mães muito perfeitas, e eu não me encaixava naquilo”, comenta.

Cíntia criou, em 2016, o projeto Um Mundo de Possibilidades Maternas, em que oferece terapia em grupo ou individual, palestras e coaching para mulheres que sintam a necessidade de tratar aspectos psicológicos relacionados à maternidade. No site e perfis em redes sociais, produz conteúdos a partir de pesquisas científicas, experiência pessoal e clínica. O projeto nasceu de uma inquietação da profissional que, depois de quase três anos de dedicação exclusiva à filha, encarava o desafio de retomar as atividades como psicóloga: “A Manoela foi muito desejada por nós, e eu demorei mais do que imaginava para engravidar. Quando me tornei mãe, transformei a minha vida. Deixei de trabalhar. Quando tentei voltar, percebi que estava perdendo momentos importantes. Precisei de ajuda psicológica nesse momento”.

Mesmo entre amigas que também eram mães, falar sobre o cansaço e outras dificuldades parecia um tabu. “Acho que as mulheres merecem saber que isso é uma pauta muito natural, muito comum. Então criei o projeto com a missão de dar um respaldo psicológico às mulheres. O que ofereço no consultório e nas redes sociais é um conteúdo que mostra para essas mulheres que existem muitas possibilidades maternas”.

Ela é mãe, mas pode ser o que quiser. Pode ser só mãe, pode trabalhar, pode fazer os dois. O meu trabalho é baseado no afeto, respeito e no que é qualidade de vida para cada mulher

O retorno que recebe é recompensador: é através do seu trabalho que muitas mães percebem que não precisam enfrentar sozinhas os seus desafios – e buscar ajuda não é sinal de fraqueza. Cada história é única, mas ao escutar sobre outras experiências, muitas descobrem que dúvidas, cansaço, tristeza, tudo isso faz parte da trajetória de muitas outras. É assim que algumas criam coragem de falar sobre sentimentos que têm dificuldade de admitir – e esse é o primeiro passo para lidar com eles de maneira mais saudável. “Ela pode querer sair de casa por um tempo, ficar sozinha, mas não tem coragem de dizer isso, não tem coragem de pedir para alguém ficar com o filho, sente como se estivesse abandonando o bebê”, comenta. Buscar a própria felicidade, seja do jeito que for, é fundamental: “A gente tem que se cuidar, cuidar das nossas relações, cuidar da vida profissional”.

A carreira de psicóloga veio com naturalidade para Cíntia, filha de um pai engenheiro e uma mãe professora. A sensibilidade e o cuidado com as outras pessoas são características que a acompanham desde a infância e, aos 16 anos, já sabia qual curso desejava cursar na faculdade. Ao longo da sua carreira, a questão da mulher e da maternidade sempre estiveram presentes em seus atendimentos. No futuro, ela pretende cursar um Mestrado para se aprofundar ainda mais e contribuir para as pesquisas sobre o tema.

Por enquanto, a rotina que Cíntia criou para si mesma é desafiadora, já que o marido, oficial da Marinha, passa longos períodos fora de casa. “Quando ele não está, eu fico sozinha com a Manu. Além da falta que ele faz a ela, faz falta para mim também – e a rotina está sempre mudando. Preciso contar com ajuda do sogro, da mãe. Quando ele está aqui, tudo flui. Mas essa é condição do nosso relacionamento que sempre existiu. É claro que ele fica preocupado, e eu tenho que me virar nos 30. Hoje, por exemplo, estou em casa porque ela está com uma virose. Tive que redistribuir os atendimentos para a agenda da semana e acabou dando tudo certo”.

O fato é que somos todas reais, com nossas próprias dificuldades, e cada mulher que se torna mãe tem à sua frente, como define Cíntia, um mundo de possibilidades maternas. Decidir sobre o próprio caminho não é um processo fácil – por isso, encontrar apoio faz tanta diferença: “90% das mulheres que me procuram têm essa queixa, essa dificuldade de falar com amigas, marido, mãe, sogra. A importância da troca é imensa. Lembro de um grupo que, quando eu estava indo embora, uma mulher veio e me abraçou, emocionada por saber que outras mães também se sentiam como ela. As mulheres precisam se reconhecer, se sentirem aceitas e fortalecidas”.

É certo que, no caminho da maternidade, haverá desafios. Eles são diferentes para cada mulher, mas é possível encontrar nas histórias das outras a força que você precisa para seguir na sua própria direção. Conte para a gente nos comentários como você busca apoio quando precisa daquela energia extra para vencer o dia a dia da maternidade real.

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