Ela foi pioneira na direção de um ônibus na cidade onde mora e sonha com veículos ainda maiores

Andréa Berriel, 39 anos, começou como cobradora, tornou-se motorista e encantou os passageiros de Rosário do Sul (RS)

“Vamos esperar o motorista chegar”. Essa foi a resposta que Andréa Berriel recebeu ao convidar o primeiro passageiro a entrar no ônibus, no início da sua primeira viagem como condutora de transporte coletivo em Rosário do Sul, cidade do interior do Rio Grande do Sul. Uma mulher à frente do volante em um ônibus era algo inédito no município. O estranhamento não durou muito: “No início, era novidade na cidade. As pessoas não se animavam a entrar no ônibus. Todo mundo queria me ver passar. Depois, tinha gente que não queria sair. Alguns aposentados ficavam o dia passeando comigo”, conta Andréa.

Os pais não têm carteira de habilitação, e o marido, Marcelo, contou com o incentivo de Andréa para finalmente ganhar coragem de dirigir.”

Se a reação inicial dos passageiros foi de surpresa, o mesmo não pode ser dito dos outros motoristas de ônibus. Os colegas já conheciam Andréa, que começou trabalhando como cobradora na mesma empresa em dezembro de 2013. Poucos meses depois, em agosto de 2014, quando mudou de função, recebeu apoio e muitas dicas: “Eles sempre me incentivaram. Foram muito companheiros e me ensinaram detalhes que a gente só aprende com a prática”. Os passageiros, em pouco tempo, também aprovaram a presença da nova motorista.


Distribuindo coragem

Por muitos anos, Andréa foi a única motorista da família – ela não sabe explicar de onde vem sua paixão por grandes veículos. Os pais não têm carteira de habilitação, e o marido, Marcelo, contou com o incentivo de Andréa para finalmente ganhar coragem de dirigir: “Eu dizia para ele que, se os outros conseguem, ele também poderia conseguir. É só acreditar. De tanto eu bater na mesma tecla, ele foi lá e conseguiu”.

Dá para ver que, além de ir atrás das próprias conquistas, Andréia é o tipo de pessoa que incentiva os outros a fazerem o mesmo, né? Um de seus sonhos é ver mais mulheres à frente do transporte coletivo em sua cidade:

Depois que eu consegui a habilitação, incentivei outra cobradora a fazer o mesmo. Ela tentou, mas não passou nas provas. Ela diz que não tem coragem, mas tem que ter!”

Para Andréa, a reprovação não é motivo para desistir. Leve o tempo que for, tenha paciência, mas não deixe de ir atrás dos seus sonhos – esse é o conselho que ela costuma dar para os outros.


Próximos passos

Depois de permanecer como condutora do transporte coletivo por cerca de sete meses, ela decidiu apostar em outra oportunidade de trabalho que a deixaria mais perto de sua verdadeira ambição: ser motorista de caminhão. Hoje, aos 39 anos, Andréa trabalha em uma agropecuária, no escritório e na condução de um caminhão pequeno, fazendo algumas entregas. “Trabalhando com caminhões, que envolva qualquer coisa que seja, eu vou ser a pessoa mais realizada desse mundo. Pode ser na minha cidade, com o caminhão graneleiro. Pode ser viajando pelo país”, imagina Andréa. Para ela, o cenário perfeito é estar em uma Fórmula Truck: “Nem digo que vou pilotar, mas gostaria de trabalhar nem que seja para lavar um caminhão. É um sonho!”.

O curioso é que, no começo, Andréa também tinha um certo medo. Ela conta que o movimento do trânsito no centro da cidade a deixava assustada, mas já no primeiro emprego precisou superar o bloqueio: “Fui trabalhar em um restaurante e a proprietária disse que eu teria que fazer as entregas. Eu tive que ir. Acabei ficando lá por 10 anos, dirigindo uma caminhonete”. Foi o empurrãozinho que ela precisava para descobrir que, longe do volante, não teria como ser feliz. Daí em diante, nunca mais duvidou que seria capaz de chegar onde deseja: “Quando alguém duvida, aí sim vem uma força que eu nem sei de onde para eu mostrar que consigo, sim”.

Seja qual for a idade, a posição social, o que for, não importa. Você nunca pode desistir, nunca pode achar que é inferior aos outros.”

O exemplo é inspirador: ter alguém como Andréa por perto é testemunhar que acreditar em si mesma faz toda a diferença. “Seja qual for a idade, a posição social, o que for, não importa. Você nunca pode desistir, nunca pode achar que é inferior aos outros.” Além de acreditar, é claro, o fundamental é trabalhar para transformar a própria realidade, como faz Andréa. Você também tem alguém ao seu redor que traz motivação por ser um exemplo? Conte para a gente nos comentários!

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