Ela herdou do pai a paixão pelos carros e quer ver ainda mais mulheres no volante

Juliana Bento de Oliveira hoje tem as estradas do Oeste do Paraná como parte da rotina, mas vencer a prova prática de direção não foi fácil

Desde criança, Juliana Bento de Oliveira sonhava em ser motorista: “Sempre gostei de carros. Meu pai deixava eu ficar brincando. Eu colocava um CD da minha música favorita e me imaginava indo para os lugares”. Hoje, aos 27 anos, ela mora em Toledo, no Oeste do Paraná, cursa Mestrado em Desenvolvimento Rural Sustentável em Marechal Cândido Rondon e faz reuniões com a orientadora, que trabalha em Cascavel. Sua vida é na estrada, mas chegar até aqui não foi fácil.

A paixão começou cedo, quando Juliana ainda morava no Paraguai, onde viveu dos 8 aos 17 anos. O pai dirigia muito por causa do seu trabalho e, quando levava a única filha para a estrada, já passava alguns ensinamentos: “Ele brincava que eu era co-pilota, sempre me incentivou, me ensinava a ler as placas, dizia que era para prestar atenção nisso ou naquilo”. Com a paixão pelo volante, vieram também o amor pelo futebol e pelo automobilismo. “Não tinha isso de coisa de menina ou de menino”, conta Juliana.

Superando o nervosismo

Apesar de ensinar sobre o trânsito, o pai de Juliana nunca quis ensiná-la a dirigir. Achava importante que a filha aprendesse na autoescola, sem herdar seus vícios. Aos 21 anos, a oportunidade de aprender chegou – mas veio acompanhada de muito nervosismo. Com o primeiro instrutor, não se entendeu. Com a segunda, as coisas funcionaram depois de uma discussão que, hoje, Juliana lembra entre gargalhadas: “Ela disse que eu nunca ia aprender a dirigir e eu respondi que não ia mesmo, com uma louca gritando do meu lado. Depois desse atrito, começamos a nos dar bem e, no final, até comprei um presente pra ela”.

Quantas vezes Juliana precisou fazer a prova antes de passar? Ela perdeu as contas. Na hora do exame, o medo de errar bloqueava a candidata:

“Eu ficava com tanto medo, com aquela pressão de fazer tudo certo, e ao mesmo tempo pensando no que podia dar errado. Às vezes a gente pensa demais e esses medos travam a gente”.

A aprovação veio na segunda tentativa no segundo processo de habilitação. O medo, ela foi vencendo aos poucos, ou melhor, despistando, como ela diz. “Eu tive medo de pegar a estrada à noite, tive medo na primeira chuva forte, no primeiro percurso mais longe que fiz com amigas. Ficava lembrando das aulas de Física, em que o professor sempre usava carros nos exemplos – e a gente sabe que apenas um segundo pode mudar as coisas”, conta Juliana. Com o tempo, conseguiu parar de pensar tanto, mas segue muito atenta e cuidadosa com a segurança de quem está com ela no carro, de pedestres e ciclistas.

Incentivo às mulheres

Do sonho de criança à rotina de adulta na estrada, Juliana precisou superar o medo que a fez repetir tantas vezes a prova prática de direção. É por isso que ela pode aconselhar, com a sabedoria de quem viveu esse desafio: “Não deixe o medo ser maior que seus sonhos”. O conselho, escrito como comentário em um dos posts da página Petrobras De Carona com Elas no Facebook, foi uma das mensagens selecionadas pela campanha No Volante Sem Medo. Ela foi uma das nove mulheres escolhidas para ter suas palavras ilustradas por uma artista. Você pode conferir e compartilhar os nove cartazes neste link.

Para Juliana, a página tem uma função essencial: “Além de motivar as mulheres a dirigir, motiva também as mulheres a fazerem parte de um mundo que muitos dizem que é só para homens. Eu, além de dirigir, cuido do meu carro, faço as revisões. Algumas mulheres são apaixonadas por carros e não têm com quem conversar”. Ela conta que muitas vezes, ao lidar com profissionais da área mecânica, sente que eles ainda não levam muito a sério as mulheres que dirigem e cuidam de seus carros – e acha importante iniciativas como esta, da Petrobras, que ajudam a transformar esse cenário.

Juliana sente-se inspirada por histórias que ela lê na página, e acredita que muitas vezes é uma história dessas que pode mudar a vida de alguém: “Talvez existam mulheres que só precisem ler algo assim. É motivador, inspirador, e faz as mulheres irem em frente”. Ela quer encontrar ainda mais mulheres como ela, apaixonadas pelo volante, por aí, dirigindo e trocando ideias sobre o universo dos carros. Se você ainda não faz parte deste grupo, seja persistente e tente o número de vezes que for preciso, mas não desista dos seus sonhos.

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