Ela já havia desistido de aprender a dirigir, mas a motivação da filha caçula mudou tudo.

Cristiane Benites conta que venceu duas barreiras: a atitude do marido e a auto-sabotagem

De tanto ouvir que não deve dirigir, tem quem comece a acreditar na própria incapacidade. Às vezes, é necessário receber um empurrãozinho de outra pessoa para recuperar a autoconfiança. Na vida de Cristiane Benites, 48 anos, essa força veio da filha caçula: depois de conquistar a própria CNH, Pollyana resolveu insistir para que a mãe tentasse novamente. Com o apoio da filha, voltou a fazer aulas de direção e, depois de passar na prova, foi a motivação de Pollyana também que a convenceu a assumir o volante de vez.

Quem vê Cristiane dominando o trânsito de Campo Grande (MS) pode ter dificuldade de acreditar que, por quase duas décadas, a direção foi motivo de discussões com o marido. Ela conta que, logo depois do casamento, com cerca de 20 anos de idade, quis dirigir: “Ele dizia que eu ia estragar o carro. E estávamos passando por uma situação financeira ruim. Mais tarde, teve uma época que eu bati o pé. Fui para a autoescola pagando as minhas aulas, mas ficava com aquele pânico, pensando que ia bater o carro. Ia bem nas aulas e, na prova, reprovava. Perdi as contas de quantas vezes fui reprovada”.

Cris Benites - Petrobras De Carona Com Elas

A dificuldade de Cristiane era tão grande que ela chegou a suspeitar que tinha algum problema de saúde: “Eu fui a um neurologista e exigi que ele achasse o que tinha de errado comigo, fiz exames, fiz ressonância, e nada”. Um dia, ela viu uma reportagem sobre pessoas que, de fato, são incapazes de dirigir e conformou-se: concluiu que deveria ser uma dessas pessoas e que nunca conseguiria.

O sonho ficou adormecido até a filha caçula crescer, aprender a dirigir e convencer a mãe a voltar às aulas, dessa vez, com um instrutor que fez toda a diferença: “Ela me disse que o professor era mesmo muito bom. E ele era mesmo! Ele me deu muita atenção, teve paciência. Acho que isso contou bastante, ter uma pessoa que te tranquilize no trânsito”. Foram quatro meses de treinamento e, no final, a vitória: Cristiane foi aprovada na primeira tentativa.

Nesse período, ela também buscou terapia para entender e superar os próprios bloqueios, algo que ela recomenda para todas as pessoas que estão passando por essa dificuldade: “Eu passei pela barreira do marido que não queria que eu dirigisse e, quando passei pela barreira do marido, eu fui a barreira. Mas hoje eu dirijo a cidade inteirinha!”.


Dirigir para ir mais longe

Com oito meses de carteira, Cristiane sente orgulho de contar o seu destino mais importante como motorista: as aulas da faculdade no curso de História. Voltar a estudar também foi um incentivo da filha: “Ela falava que eu ficava reclamando que não tinha estudado, que isso e aquilo, e me perguntava: ‘por que você não faz o Enem?’ Eu dizia que não ia passar. E não é que eu fiz e passei em duas universidades públicas? A gente se boicota, a gente tem que tomar muito cuidado com isso, com o que fazemos com nós mesmas”. No final das aulas, a nova motorista ainda dá carona para os colegas.

Cristiane também não depende mais do marido para visitar a mãe sempre que sente vontade, e levá-la ao médico quando é necessário. Para ela, dirigir não é um luxo ou um capricho, é uma questão de cidadania:

“É a tua liberdade de ir e vir”. Por isso, hoje não perde uma oportunidade de incentivar alguém que esteja com algum receio de aprender a dirigir: “Eu tenho uma amiga que o noivo vai buscar, e eu digo para ela parar com isso. Eu vou trabalhando isso, porque a gente tem que ter autonomia. Não dá para ficar dependendo dos outros para ir e vir, até porque isso sobrecarrega o outro também”.

 

É claro que, tendo passado por tanta dificuldade para conquistar a CNH, ela compreende muito bem o quanto é difícil dar os primeiros passos. Ela reconhece que dirigir só é fácil depois que estamos familiarizados – no começo, são muitos comandos novos, precisamos nos adaptar a uma situação completamente diferente. Como ela própria descobriu, é com a prática que vamos aperfeiçoando essa capacidade. Cristiane também percebeu que muitos motoristas iniciantes são muito mais prudentes, pois ainda não têm aquele excesso de confiança de quem já acha a direção uma tarefa banal.


Cada um sabe do que é capaz

A motorista acompanha a página Petrobras De Carona com Elas no Facebook há muito tempo: “Acho legais várias histórias. As pessoas vêm comentar e muitas vezes estão passando pelos mesmos problemas. E tem outras que já passaram. Começamos a perceber que não somos as únicas. Às vezes a gente acha que só a gente passa por aquilo, mas outras pessoas também passam”. Uma ganha força com a experiência da outra.

Cristiane teve um de seus comentários selecionados para a campanha No Volante sem Medo. Sua frase é uma lição que reflete o aprendizado que a direção lhe trouxe:

“Não deixe que ninguém diga o que vocês são ou não são capazes de fazer”

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A artista Ana Paula Zonta criou um cartaz a partir da mensagem, que serve de inspiração diante de muitos desafios pelos quais passamos ao longo da vida. Você pode fazer o download, salvar, imprimir, dar de presente para alguém, compartilhar, enfim, ajudar a espalhar essa obra inspiradora pelo mundo.

Aqui no site, você encontra todos os nove cartazes que foram criados a partir de frases de mulheres fortes e reais, que generosamente dedicaram seu tempo e suas palavras a incentivar umas às outras na comunidade criada a partir da página. Vale compartilhar, já que, em alguns momentos, tudo o que precisamos é que alguém de fora nos diga que somos, sim, capazes de ir em frente.

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