Ela não quis ficar parada na aposentadoria e abriu um posto de gasolina

Lucia Violeta de Oliveira é engenheira química e trabalhou por mais 30 anos em uma multinacional, antes de iniciar seu próprio negócio

O momento da aposentadoria pode ser muito desafiador para qualquer pessoa, não apenas pela questão financeira, mas também pela mudança de rotina. Lucia Violeta de Oliveira, formada em Engenharia Química e com mais de 30 anos de atuação na área, havia passado toda a vida profissional na mesma empresa, uma indústria multinacional. Perto da idade de se aposentar, começou a ficar inquieta com a ideia de simplesmente parar de trabalhar:

“Eu queria continuar tendo um propósito, continuar contribuindo, continuar aprendendo coisas novas”.

A ideia de abrir um posto de gasolina em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, surgiu de conversas com o marido, que já atuava na área. “Nós compramos o terreno em 2008 e eu me envolvi desde o início, apesar de continuar trabalhando na outra empresa. A gente construiu do zero. Foi bom estar envolvida desde o projeto, a construção, a parte da documentação e licenciamento. Eu saí da outra empresa em 2012 e nós abrimos o posto em fevereiro de 2013”. Não foi uma mudança pequena – e Lucia Violeta conta que sentiu muita ansiedade ao passar do papel de funcionária de carteira assinada para o de empresária. A responsabilidade de gerir um negócio, afinal de contas, é muito diferente.

Ao passar para o outro lado da mesa, a empresária não deixou para trás os aprendizados que ganhou ao longo de mais de 30 anos de carreira: um atendimento de excelência é essencial e, para isso, os funcionários devem estar motivados, alinhados aos valores da empresa e, claro, treinados para realizar suas funções de maneira impecável. Lucia não esconde o orgulho que sente da sua equipe e a satisfação de vê-los trabalhando com entusiasmo.

Ela acredita que o atendimento diferenciado é o que atrai o público feminino ao seu posto:
Nosso público feminino é muito grande, e eu acredito que é em função do atendimento. Acho que, aqui, as mulheres se sentem mais à vontade. Sei que não é um ambiente que normalmente o público feminino gosta, mas acho que a atenção que a gente dá para elas faz a diferença. Assim que ela chega, tem que dar apoio. A empresária também percebe que a bandeira dos Postos Petrobras gera confiança em todos os seus clientes.

Cinco anos depois da inauguração, Lucia já encara o novo desafio com mais tranquilidade, mas admite que o primeiro dia foi marcado pelo frio na barriga: “Eu lembro do primeiro carro que entrou para abastecer: foi um Fiat Uno cinza! Naquele momento, eu olhava para o frentista e ele olhava para mim. Eu tive a ideia de ir lá, me vestir de frentista, mas depois desisti da ideia. Mas fiquei ali com eles. E da primeira vez que um caminhão veio descarregar combustível, também fiquei numa ansiedade! E, olha, dentro da indústria química eu fiz coisas muito mais complexas, isso eu garanto. Mas trouxe um grau de ansiedade por ser uma coisa nova”, relembra.

O desafio, é claro, não foi só no posto. Lucia reconhece que a relação com o marido também mudou: eles se conheceram na faculdade, quando ele cursava Engenharia Civil, e ela, Engenharia Química. Tiveram três filhos, todos também engenheiros. Sempre conversaram sobre o cotidiano da profissão, mas nunca haviam trabalhado juntos: “Entender como trabalhar em uma empresa familiar foi um grande desafio. Tem que ter disciplina de, nas horas de lazer, não falar de trabalho. Acho que ainda não tá 100%, mas já evoluímos bastante”, comemora.

Aos 61 anos, Lucia Violeta às vezes pensa em parar, mas essa ideia logo se dissipa: “Tem horas que eu penso ‘o que eu estou fazendo aqui? Eu já deveria estar aposentada!’ Mas quando a gente decide abrir uma empresa, não deixa de ser um trabalho em prol da sociedade. É uma responsabilidade social. Desafios sempre existem, não é que a gente não espere encontrar pedras no caminho – mas a gente junta tudo no final para construir um castelo”, comenta, em tom bem-humorado. O que poderia fazê-la mudar de ideia é a chegada de netos, mas os seus filhos, por enquanto, estão mais focados no desenvolvimento profissional. Ela imagina que, quando for avó, pode desejar desacelerar um pouco o ritmo.

Por enquanto, porém, Lucia Violeta celebra todas as conquistas que já soma em cinco anos à frente do Posto Jockey e não para de planejar ainda mais melhorias para os clientes que frequentam o local. Aos 61 anos, a empresária baiana ainda tem energia para ir muito mais longe. E ela nos mostra que, não importa a idade, a qualquer momento da vida a gente pode buscar uma nova direção, criar novos caminhos e encontrar oportunidades para crescer ainda mais.

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