Ela realiza no transporte aéreo o sonho de ter uma carreira desafiadora e ajudar pessoas

Dativa Vitória da Silva sempre se inspirou em mulheres que rompem barreiras e hoje é aviadora da Força Aérea Brasileira

Aos 17 anos, Dativa Vitória da Silva deixou a casa dos pais, em Recife (PE), para estudar em Pirassununga, no Interior do Estado de São Paulo. O destino: a Academia da Força Aérea (AFA), onde ela daria seus primeiros passos em uma profissão sobre a qual, ela reconhece, sabia muito pouco. Admirava a carreira militar do pai, havia estudado em um colégio militar, mas nunca havia convivido com pilotos: “Quando eu estava na oitava série, comecei a pesquisar sobre a AFA, a reunir informações sobre ser piloto. Eu achava desafiador e diferente, mas não conhecia nenhum piloto. No Ensino Médio, comecei a me preparar para fazer o concurso. Consegui passar e ingressei na Academia”.

Apegada à família, sofreu com os mais de 2,5 mil quilômetros de distância, mas a saudade foi equilibrada com o suporte que sempre recebeu: “Desde o início, quando comecei a conversar com eles (sobre a vontade de estudar na AFA), eles sempre me apoiaram. Eles também se sentiram um pouco inseguros – todos os pais pensam que é uma carreira arriscada, mas em todos os momentos de dificuldade, em que pensei que poderia não conseguir, eles me incentivaram, falaram que eu conseguiria chegar lá”.

Atualmente, a Tenente Vitória comemora o retorno a Recife depois da formação como oficial da Força Aérea Brasileira (FAB) em 2015. Perto da família, alocada no Segundo Esquadrão de Transporte Aéreo, se sente realizada ao começar, enfim, a trabalhar como aviadora especializada em transporte de passageiros e cargas, a área de atuação que escolheu: “Eu sempre gostei de trabalhar com pessoas e de poder viajar com o avião de um lugar a outro. A gente acaba tendo contato e conhecendo as histórias delas”, conta a Ten. Vitória. A recompensa por todo o esforço, enfim, é perceber que faz a diferença na vida de outras pessoas: “No meu primeiro voo com passageiros, fiquei encantada por poder ajudar alguém. Para mim, eu atingi tudo o que eu queria na Força Aérea com aquele voo. Uma adolescente que não teria como viajar se não fosse esse suporte agradeceu no final, e eu fiquei realmente encantada”.

E o esforço não foi pouco: a Ten. Vitória explica que o primeiro voo solo é um desafio que nem todo mundo consegue enfrentar: “A gente tem um número reduzido de missões até atingir um estado seguro de voo. O 15o voo é o voo solo, e essa preparação na AFA é muito intensa. A gente mentaliza todas as fases, estuda muito, inclusive nas férias. É uma fase em que algumas pessoas não conseguem e são desligadas do curso. A gente se prepara bastante, é o ápice, tem toda a responsabilidade de decolar e pousar em segurança”. O voo dura mais ou menos uma hora e é um momento significativo para todo mundo: “Eu fiquei com um sentimento de missão cumprida, de ter alcançado depois de tanto esforço, de ‘eu consegui, eu cheguei até aqui’. Existe a tradição: cada cadete que pousa em seu primeiro voo solo, todos os colegas se reúnem para parabenizar e a gente entrega um cachecol de voo que coloca dentro do macacão. É um momento de muita emoção, só quem viveu sabe, porque não é fácil atingir esse nível de preparo para o voo em tão pouco tempo”.

Para superar esse desafio, não pode faltar determinação. E a Ten. Vitória acredita que este é o ingrediente que pode levar qualquer pessoa a qualquer lugar:

Se existe a oportunidade de competir em pé de igualdade com outros homens e mulheres, eu vou. Com determinação e foco, podemos chegar onde quisermos. Eu acho que isso é o que realmente importa.

Ao longo da história, vimos várias mulheres que foram além do seu tempo e eu sempre gostei das histórias de mulheres que romperam barreiras”. Seja qual for o seu desafio, a aviadora dá a dica: Não deixe ninguém dizer até onde você pode chegar ou o que você pode fazer.
Se a determinação foi fundamental para a Ten. Vitória conquistar seu espaço como aviadora, também foi importante para que ela superasse um desafio comum à maioria de nós: a carteira de motorista. Ela se diverte ao contar: “Eu comecei a pilotar antes de dirigir! Entrei na AFA, ainda não tinha carteira e não tive tempo para fazer o processo enquanto estava lá. Só tirei carteira com 21 para 22 anos. E passei pelas dificuldades que todo mundo passa: para fazer baliza, tenho dificuldade até hoje”.

Quando fala de determinação, portanto, a Ten. Vitória não está falando de um elemento que torna os desafios – no céu ou em terra firma! – mais fáceis, e sim de algo que faz a vontade de superá-los ser maior do que tudo. E isso vale para qualquer objetivo que tenhamos na vida, certo?