Ela reconheceu as próprias vitórias para conquistar também a autonomia ao volante

Joeline Brito teve um empurrãozinho da mãe e apoio psicológico para vencer o medo

Aprender a dirigir significa ganhar autonomia – assumir o volante pode ampliar oportunidades profissionais, tornar a vida mais prática e até mais divertida. Com o carro, é você quem decide a hora e o lugar de chegar e ir embora. Pode visitar amigos e familiares distantes, levar os filhos para a escola, dar carona para os pais. Mesmo pensando em todos os benefícios, você só sente medo quando se coloca no banco do motorista? Você não está sozinha. A boa notícia? É, sim, possível mudar o rumo dessa história.

O começo da transformação nem sempre é fácil. Para Joeline Brito, 43 anos, professora de Ensino Médio, a motivação veio da mãe. Ela conquistou a CNH em 2013, já tinha um carro que havia comprado da irmã mais nova, mas faltava coragem de tirá-lo da garagem. Na prova prática, passou na primeira tentativa. O problema veio depois: “Eu senti que não conseguia sentar no banco do motorista sem alguém ao meu lado. Não conseguia entrar no carro sozinha”, lembra Joeline.

Joeline Brito - Petrobras De Carona Com Elas

Habilitada e dona do próprio carro, passou a ser desencorajada por comentários negativos em relação a sua altura: “Eu sou baixinha, tenho 1,54 m, e as pessoas diziam que o meu carro era muito grande para mim, que eu nunca ia conseguir dirigi-lo”. A professora admite: “Às vezes, sou meio acomodada. Precisou alguém me dar um alerta. Eu era a única da casa que não dirigia, e minha mãe disse que não queria mais me ver assim. Outras pessoas ficavam me colocando medo, mas a minha mãe me incentivava”.


O apoio que mudou tudo

Para a professora, a busca por um tratamento psicológico foi fundamental. Em 2015, ela buscou ajuda para vencer o medo. Uma vez por semana, saía com a psicóloga. Tudo começou a mudar. Joeline começou a entender que não precisava mais estar sempre sob a proteção de outra pessoa e que a independência que ela havia conquistado na vida poderia valer também para a direção: “O que a psicóloga começou a colocar para mim é que eu já era uma vencedora, uma guerreira, eu nasci prematura com a metade do peso da minha irmã gêmea e sobrevivi, eu trabalho, comprei meu carro e minha casa, que eu não tenho nada de dependente e só ficava presa a isso para continuar recebendo proteção”.

Com o apoio, ela também entendeu que, no banco do motorista, é ela quem está no comando do carro e não o contrário. Joeline aprendeu que o caminho para vencer seus bloqueios seria a prática: “A psicóloga me disse para eu não fazer nada que me deixasse insegura, mesmo que isso signifique fazer um trajeto maior. No começo, para ir ao trabalho, eu fazia um caminho enorme para evitar ladeiras. Hoje, já pego os atalhos”.


Transformando a própria vida

Joeline é moradora de Manaus (AM) e dá aula para adolescentes em duas escolas, nos turnos da manhã e da noite. Até, finalmente, assumir o volante, dependia de ônibus, táxi ou carona dos amigos e familiares. “Eu era muito caseira. Nem saía mais. No meu grupo de amigos, cada um jogava para o outro a tarefa de me levar aos lugares, ou acabavam falando para eu pegar um táxi”, conta. Hoje, ela comemora: “Minha vida social mudou muito! Hoje à tarde, por exemplo, eu vou a um café. Depois, vou trabalhar à noite. Antes eu não faria isso”.

Ao assumir mais turnos de aula é que Joeline sentiu que estava na hora de dar um basta ao medo de dirigir. A vida profissional, desde então, melhorou, já que ela perdia muito mais tempo andando em ônibus lotados, e sofria carregando muitos materiais para as atividades de aula: “O estresse me dava vontade de chorar. Hoje eu posso colocar tudo arrumadinho no carro. Eu chego em casa mais cedo depois da aula à noite. Foi a melhor coisa da minha vida. Meu estresse todo reduziu muito”.

Para completar, Joeline hoje sente orgulho de poder dar carona para os pais e irmãos: “Minha mãe adora andar no Centro. Eu posso ajudar meus pais muito mais. Antes eles precisavam ficar andando de ônibus, e agora eu fico muito feliz de poder levá-los”.


Somos capazes!

Joeline conheceu a página Petrobras de Carona com Elas no Facebook quando um amigo curtiu ou compartilhou algum conteúdo que ela achou interessante. Desde então, acompanha as dicas e as histórias de outras mulheres que, como ela, têm orgulho de conduzir o próprio carro por aí: “Toda vez que olho, vejo que não sou a única. Vejo muitas mulheres com as mesmas barreiras”.

A professora teve um de seus comentários selecionados para a campanha No Volante sem Medo. A mensagem poderosa é bastante representativa da sua história: “É preciso vencer nossos medos e dizermos para nós mesmas que somos capazes”. Sua frase de incentivo virou um cartaz criado pela artista Vanessa Kinoshita. Outros oito comentários serviram de inspiração para obras que agora você pode conhecer, baixar, compartilhar e disseminar por aí como um gesto de incentivo para si mesma ou para seus amigos que também precisam de um empurrãozinho para irem em frente.

Vencedora na vida e no volante, Joeline gosta de celebrar as próprias conquistas e as dos outros. Para ela, é um orgulho poder incentivar ainda mais pessoas, já que vive dando força para as amigas e acredita que a página tem um grande poder de transformação:

“Eu digo para as minhas amigas que, se eu consegui, elas vão conseguir. Mais medrosa do que eu, não tinha. Mais dependente do que eu, também não. Acho que a página vem para aconselhar, dar dicas e mostrar que você não é a única com dificuldades”.

 

Joeline se descobriu ainda mais vencedora e capaz ao assumir o volante. Com isso, sua vida também ganhou novas possibilidades. Respeitando o próprio ritmo e buscando apoio, ela multiplicou os caminhos e conseguiu ir mais longe. E para você? Como assumir a direção mudou a sua vida? Conte para a gente nos comentários!