Ela retomou a paixão por aventuras e transformou a adrenalina em uma nova carreira

Ludy Rodrigues criou uma empresa e um canal de vídeos para incentivar mulheres a praticarem esportes radicais

De Alma Lavada. Esse é o nome do canal de Ludy Rodrigues no YouTube. “Tem a ver com a sensação de plenitude que você tem quando consegue realizar alguma coisa”, ela define. E não haveria descrição melhor para a história dessa empreendedora mineira de 29 anos. Além do canal, ela toca uma empresa de turismo de aventura. Tudo com foco em levar ainda mais mulheres a experimentarem a adrenalina dos esportes radicais.

Se Ludy hoje dedica-se a desbravar o mundo no céu, na terra e no mar – experimentando fazer rapel, voar em um planador, praticar hipismo, entre tantas outras atividades – é porque sua vida tomou um rumo diferente do que ela imaginava. Há cerca de 3 anos, ela estava prestes a se casar. Empacotou a mudança, largou o emprego, se preparou para acompanhar o namorado em uma nova cidade: “Eu tinha tudo muito certinho, muito estável, mas minha vida deu uma virada”. Aos 26 anos, viu o relacionamento de 8 anos chegar ao fim. Os planos imaginados ficaram para trás, mas foi o início de uma nova trajetória.

Ludy, que foi jogadora de futebol e sempre gostou de aventura, havia deixado adormecer esse seu lado: “Durante o namoro, desenvolvi um medo de trilha. Eu chegava no meio de uma trilha e chorava. Quando vim para Belo Horizonte, eu descobri um grupo de amigos que praticava esportes de aventura. A primeira atividade que acompanhei era no meio da Serra do Cipó. Tinha que passar em uma caverna com água na altura do peito. Entrei. Estava tudo escuro. Fui para vencer o medo. Deu tudo certo e me apaixonei”.

A empresa Lobo do Mato e o canal do YouTube surgiram da vontade de estimular mais mulheres a encararem desafios e superarem seus medos: “Eu notei que muitas mulheres queriam, mas achavam que não eram capazes, ou achavam que precisavam de uma companhia masculina ou não sabiam onde fazer”, conta Ludy, que já começou a levar amigas para experimentarem algumas atividades – e começa a receber mensagens de meninas que assistem a seus vídeos no YouTube e querem dicas para suas próprias aventuras: “Seria muito bacana se o canal inspirasse as mulheres de fato, se eu conseguisse levar várias para fazer aquilo que elas têm menos. Imagina: levar várias, e elas superarem juntas!”

Ludy gosta de estar em contato com a natureza desde criança, quando aproveitava todas as oportunidades de andar a cavalo, tomar banho de rio, andar em trilhas, passear de bicicleta e jogar futebol: “Meus pais têm uma pousada. Eles não faziam muitas atividades, mas me deixavam na mão de quem levava. Sempre tinha um tio, uma tia ou um primo”. A paixão por estar sempre em movimento era tanta que ela acreditava que faria faculdade de Educação Física – acabou iniciando o curso de Direito por influência do pai, mas logo mudou para Publicidade. Inquieta, trilhou seu próprio caminho para chegar de volta ao turismo e transformar em trabalho a conexão com a natureza que trouxe desde a infância.

Isso não quer dizer que o medo não faça parte da sua vida: “Na atividade de aventura, é bom ter medo para entender o limite e superar, com respeito. Você deve respeitar seu limite, mas não pode esquecer que o medo paralisa”. O importante é não deixar de enfrentar as situações: “É difícil eu ficar com medo, mas vou fazer um voo de planador, que é como um avião sem motor. Vamos subir puxados por outro avião e, quando chegamos lá em cima, o planador é solto. Quando o piloto veio falar comigo, que ia me largar lá em cima, me deu um aperto!”. O entusiasmo, é claro, foi maior que o medo.

Ludy acredita que a grande transformação que passou ao final do relacionamento foi difícil, mas determinante para a construção dessa nova etapa da sua vida: Hoje faço o que amo mesmo.

Não creio que estaria vivendo isso se não tivesse passado pelo grande baque. O fato de estar naquela situação de ter que tirar forças não sei da onde, de ter que levantar a cabeça e sacudir a poeira, foi importante porque, se não fosse isso, talvez eu estivesse fazendo qualquer trabalho que não aquilo que eu realmente gosto

Sua vida hoje é totalmente diferente do que ela havia planejado – mas basta assistir a um dos seus vídeos para descobrir que, para ser plena, às vezes, não há nada melhor do que mudar os planos.