Ela venceu o desafio de dirigir em um Estado diferente com o apoio da filha

No primeiro dia de viagem, Leila Marins enfrentou os pesadelos de muitos motoristas

Ser capaz de dirigir no dia-a-dia é uma libertação: dá autonomia para ir e vir sem depender de ninguém. Poder assumir o volante durante os momentos de lazer também é uma experiência de liberdade. Pegar a estrada ou alugar um carro em um destino de férias permite que você decida onde quer ir, quanto tempo quer ficar – permite até mudar de ideia, voltar mais cedo ou ficar até mais tarde.

Parece só haver lados positivos em dirigir durante uma viagem, certo? Pois a funcionária pública Leila Marins, 52 anos, contou com a parceria da filha para superar os desafios iniciais de pegar o carro em um Estado diferente durante um passeio de 10 dias pelo Nordeste. “Foi uma experiência inesquecível e eu faria tudo de novo”, comenta a motorista. No primeiro dia, entretanto, ela chegou a pensar em desistir e antecipar a volta para a casa.


Nordeste no volante

Moradora de Campos dos Goytacazes (RJ), Leila tirou a carteira de habilitação há mais de 10 anos – só não assumiu o volante quando era mais jovem por falta de condições financeiras. Em novembro de 2016, quis ter uma experiência nova ao lado da filha, Luiza: ir de avião até Recife (PE) e, lá, alugar um carro para fazer os próprios passeios pela região.

Além de ter que lidar com um modelo de automóvel diferente do que estava acostumada, Leila não estava familiarizada com o trânsito e nem com a cidade. No primeiro dia, decidiram visitar Olinda: “Quando eu vi para onde estava indo, tive vontade de voltar, mas não tinha como, pois estaria na contramão. Era uma ladeira enorme. Chegamos lá em cima e eu tive que fazer baliza na ladeira! Eu tremia, mas consegui”, conta.

Sua cidade de origem é completamente plana, e Leila não está acostumada a manobrar nestas circunstâncias. Mais tarde, a caminho do hotel, o carro foi atingido por uma batida na lateral que, ainda bem, não deixou feridos. “Eu fiquei péssima. Eu quis desistir, mas minha filha me deu muita força. No outro dia, estava mais tranquila”, relata.

A viagem seguiu com as típicas aventuras de quem decide explorar novos territórios de carro: mais de uma vez, as duas se perderam no caminho. “As pessoas são maravilhosas, mas cada uma dá informação de um jeito diferente, e eu ficava bastante confusa”.

Passados alguns meses da experiência, só as memórias boas ganharam importância. Leila, que costuma viajar na companhia de amigas, já sonha com os próximos destinos. “Nossa pretensão seria fazer o mesmo tipo de coisa em Portugal, mas não sabemos se será possível. Eu também gostaria de ir de carro até a Bahia. Sou apaixonada pelo Nordeste!”, conta. Na próxima viagem, admite que gostaria de ver a filha também ao volante: “Já dou o carro para ela na estrada, para que ela se sinta segura”.


Apoio feminino

Leila admite que, quando começou a dirigir, precisou vencer alguns medos: “Eu tinha dificuldade para manobrar na vaga de um lugar onde eu trabalhava. Um dia uma amiga estava chegando e viu que eu pedia para um manobrista estacionar. Ela me chamou a atenção e disse que eu era capaz, que eu era competente e que ela ficaria junto comigo para me ajudar a aprender”. Desde então, sempre que tem alguma dificuldade, Leila chama alguém mais experiente, mas sempre fica na direção, para aprender a superar aquele desafio.

A prudência, ela explica, ajuda a aumentar a sensação de segurança e diminuir o medo:

“O importante é estar com a manutenção em dia. Eu gosto muito das dicas da página De Carona com Elas que nos ajudam a conhecer melhor os aspectos técnicos do carro, porque é importante. As mulheres às vezes são ridicularizadas no trânsito – no entanto, o índice de acidentes conosco é bem menor”.


A autonomia para ir e vir é fundamental, mas o que Leila mais gosta é da sensação de liberdade ao dirigir: “É libertador! Quando estou chateada, uma das coisas que me faz bem é pegar o carro e dar uma volta. Acho que é uma das formas de expressar nossas conquistas enquanto mulheres”, define.

Apoiar e ser apoiada por amigas, pela mãe ou pelos filhos nos dá segurança para assumirmos a direção da nossa vida, seja no volante de um carro ou em outras decisões que precisamos tomar ao longo do caminho, certo?

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