Ela venceu o medo de dirigir ao aprender a respeitar o próprio tempo

 

Quando somos motoristas iniciantes, é comum que os mais experientes queiram dar palpites sobre o nosso jeito de dirigir. Para alguns, as dicas podem até ser úteis. Para outros, podem ter o efeito contrário: tiram a confiança na própria capacidade e geram tanto nervosismo que chegam a bloquear a pessoa recém habilitada.

 

Por isso, quando Clara Soares decidiu que estava na hora de assumir o volante, concluiu que a melhor opção seria sair sozinha. “Eu tinha carteira, eu tinha o carro, eu tinha vontade, mas também tinha muito medo. Era um bloqueio. Quando eu estava com mais pessoas, era pior, porque elas queriam que eu dirigisse do jeito delas. Sozinha, eu tinha espaço para pensar. Acompanhada, dava uma travada”, conta a nutricionista de 25 anos moradora de Porto Velho, em Rondônia.

 

Clara Soares - Petrobras De Carona Com Elas

Essa decisão foi suficiente para a nova motorista ficar tranquila e dirigir sem medo? Claro que não, mas foi o primeiro passo. Sem perder o bom humor, Clara hoje dá algumas risadas ao lembrar das primeiras empreitadas: “Eu saí com o freio de mão levantado, fiz muita barbeiragem, cada dia uma coisa diferente! Fui assistir a vídeos de direção defensiva, de mulheres dirigindo, eu queria ver se melhorava. Não melhorou quase nada, mas segui tentando! Hoje eu estou bem, mas era bem ruim no início”.

 

Ajuda dos amigos e familiares? Clara conta que eles não tinham paciência e a comunicação era difícil. A mãe, segundo ela, é uma excelente motorista – e tentava, mas não conseguia disfarçar a tensão ao andar de carona com a filha. Clara não entendia como a mãe fazia a direção parecer algo tão simples enquanto, para ela, era algo tão difícil: “Eu também olhava para as amigas e pensava: ela vai onde quer, e eu estou aqui mofando!”.

 

Do irmão mais novo, por outro lado, recebia incentivos incondicionais:

“Mesmo quando eu fazia tudo errado, ele sempre gostou de me ver dirigindo. Ele dizia: ‘minha irmã é a melhor do mundo’. Era bom, era de uma inocência, de ele saber que eu não estava bem e precisava ouvir alguma coisa boa”.


O medo dos outros

Ela reconhece que sentia medo, mas não é porque não tivesse domínio do veículo. A prova prática, por exemplo, ela tirou de letra: “Foi tranquilo tirar a carteira porque é tudo bem ensaiado. Você repete a baliza, repete o percurso várias vezes”. Ela tinha consciência de que, se passou na prova e obteve a carteira, é porque sabia dirigir.

 

Qual era, então, a fonte de tanto medo? “Eu sabia que eu não faria nada de errado, mas tinha medo dos outros motoristas. As pessoas andam na contramão, passam onde não é para passar. Eu não acreditava que os outros motoristas estavam preocupados com segurança”, explica.

 

Clara conta que um dia acordou e decidiu que iria para o estágio de carro. Todos da família ficaram surpresos. Os primeiros dias foram difíceis: “Eu chegava suada, tremendo, descabelada, com cara de choro. Era deprimente”. Mas ela sabia que precisava continuar tentando e encontrou algumas táticas para encarar o medo: “Eu saía meia hora mais cedo, parava umas cinco vezes no trajeto. Tinha vezes que eu queria parar o carro no meio da BR e chorar. Andava mais um pouquinho, encostava de novo”.

 

Respeitando o próprio ritmo, a nova motorista foi, pouco a pouco, se sentindo mais confiante:
“Consegui ir melhorando. Tirei meu próprio carro. Comecei a fazer minhas coisas sozinha. Melhorou muito a minha vida”.
 


Campanha No Volante sem Medo

 

É por isso que, na página Petrobras De Carona com Elas no Facebook, Clara um dia deixou um comentário compartilhando esse aprendizado. Sua mensagem, que fala em

“prosseguir sempre, respeitando o meu tempo e não o tempo que esperam que eu tenha”

, foi uma das escolhidas na campanha No Volante sem Medo, em que três artistas criaram ilustrações inspiradas em frases deixadas por mulheres que compartilham suas experiências e dicas na comunidade. O cartaz criado por Nina Moraes para a frase de Clara está disponível para download na página da campanha, junto com outras oito mensagens poderosas. Você pode baixá-las, imprimi-las e espalhá-las pelo mundo para distribuir coragem por aí.

 

Clara também participou da gravação de um vídeo da campanha e teve a oportunidade de receber o quadro com a sua frase diretamente das mãos da artista. Para isso, precisou viajar de Porto Velho a Porto Alegre, uma aventura inesperada: “Toda minha família ficou com medo, mas eu sou meio ‘tá com medo, vai com medo mesmo’. É muito desafiador sair da sua zona de conforto e levar sua história”, conta. De volta para casa, colocou o quadro na parede principal do quarto, para olhar para ele todos os dias ao acordar.

 

Com a ideia de respeitar a si mesma e aceitar o próprio ritmo, Clara superou o medo de dirigir. Ao compartilhar essa ideia, ela viu que um ato tão simples como deixar um comentário motivador para outras mulheres no Facebook pode ter um impacto positivo no mundo. O mais incrível? Descobrir que aquilo que você aprendeu e pode dividir são as palavras exatas que alguém precisa para seguir em frente.

 

E você? O que aprendeu sobre si mesma ao superar o medo de dirigir? Não deixe de contar sua história – você vai se surpreender ao perceber o quanto ela pode ser inspiradora para outras pessoas.

 

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