Elas se uniram para fazer auto-escola, falharam juntas e, depois, venceram

Ana Beatriz aproximou-se ainda mais da mãe para reconstruir a vida após a perda do pai

Qual lição pode ser mais valiosa do que aprender a enxergar as dificuldades da vida como desafios a serem vencidos? Ana Beatriz Barbosa de Alcantara Machado perdeu o pai aos 19 anos e viu a mãe, Marceli, até então uma dona de casa tradicional que tinha como principal responsabilidade tomar conta dos filhos, assumir um novo papel como líder da família. A filha não esconde o orgulho dessa trajetória:

“Eu aprendi com ela que não existem barreiras, que os problemas sempre vão existir, mas o nosso papel é superá-los”.

Foi Marceli quem determinou: “Agora nós vamos ter que aprender a dirigir”. O carro da casa, até aquele momento, era conduzido apenas pelo pai. Mãe e filha foram juntas fazer a matrícula na auto-escola. Na primeira prova, rodaram as duas. Desistir? Nem pensar! Na segunda tentativa, comemoraram a aprovação dupla. “Treinamos juntas em casa para a prova de baliza. Tínhamos um manual com um passo-a-passo. Ela ficava me olhando como se fosse a avaliadora. E era bem exigente!”, Ana Beatriz relembra. Em seguida, veio o desafio da manutenção do carro: “Não sabíamos de nada: como abastecer, quais eram os cuidados necessários, nada.” Com o tempo, foram aprendendo e ganhando familiaridade com o universo automobilístico.

Transformações que trazem grandes aprendizados

Assumir o volante foi apenas um dos desafios que as duas tiveram que enfrentar. Ana Beatriz, que trabalhava em um escritório de advocacia e cursava faculdade de Letras, precisou assumir parte da responsabilidade pelos cuidados do irmão mais novo, que na época tinha seis anos de idade. Marceli teve que aprender a administrar o dinheiro da família, as contas, o relacionamento com o banco. “Até aquele momento, minha família tinha os papéis tradicionais bem definidos. Minha mãe cuidava da casa, de mim e do meu irmão. Não mexia com dinheiro, com cartão, com o carro. Essas eram tarefas do pai”, conta Ana Beatriz.

Passados 15 anos desse grande momento de transformação, muita coisa mudou na vida da família, mas os aprendizados foram marcantes para as duas. Marceli hoje dirige sem medo e trabalha como acompanhante de uma senhora idosa. Mãe e filha se aproximaram ainda mais depois da experiência: “Entramos no papel de cuidar uma da outra. Apesar de o meu pai ter morrido muito jovem, aos 47 anos, a minha mãe conseguiu tocar a vida. Graças ao esforço dela, eu e meu irmão passamos por isso de uma maneira tranquila”. Hoje, Ana Beatriz e o marido moram no mesmo condomínio de Marceli, no Rio de Janeiro, para garantir a convivência entre as duas.

Ganhando força a cada desafio

“Minha mãe teve que se deslocar, teve que começar a mexer em coisas que não conhecia. Com ela, eu aprendi a correr atrás, a não me deixar abater diante das dificuldades. Eu vejo os problemas como coisas que fazem parte da vida, que a gente tem que passar. Eu me sinto mais forte por causa dela, e sigo em frente”, conta a filha.


  • Minha história Ela superou perdas, mudou de carreira e inspira mulheres que sonham em ter o próprio negócio

    Vanessa Martins começou do zero e hoje está à frente de uma oficina que é referência em sustentabilidade

    Saiba mais
  • No volante Prova prática: dicas para quem está se preparando para tirar a CNH

    Saiba mais