Esteticista durante o dia, motorista de caminhão guincho à noite

Daniella Esteves, 42 anos, superou o nervosismo na prova de direção mesmo sob olhares de descrédito do marido

No volante de um caminhão guincho, mas nunca sem maquiagem. Daniella Esteves, 42 anos, é uma mulher que vai à luta. Isso significa, às vezes, sair de madrugada, sozinha, para recuperar um carro que ficou sem gasolina ou sofreu um acidente na região de Volta Redonda, no Rio de Janeiro: “Pela dificuldade da vida, sempre tive que enfrentar as coisas, então não tenho medo não”. Daniella dirige e opera o guincho sozinha: é preciso cuidado na hora de colocar o carro para cima do caminhão, e nem sempre é tarefa fácil dirigir em ruas estreitas. Às vezes, encara acidentes até com morte. Às vezes, enfrenta a incredulidade de quem não espera encontrar uma mulher na função.


Um sonho vira realidade

Dirigir um caminhão era sonho de infância: o pai, caminhoneiro, morreu aos 36 anos em um acidente de trânsito. Daniella tinha apenas quatro anos e conta que as únicas lembranças que reteve são imagens do pai voltando para casa após alguma viagem. “Acho que está no sangue. Era um sonho. Tirar essa carteira foi uma das coisas mais importantes da minha vida”, ela conta.

Com dois irmãos mais novos que também trabalham no setor, o apoio da família Daniella já tinha. O marido, por outro lado, falava que ela deveria desistir e tentava fazê-la duvidar de si mesma – sem sucesso.

Eu coloquei na minha cabeça que ia conseguir e fiz a prova sem perder nenhum ponto. Ele foi até o local da prova só para incomodar. Na hora que vi, fiquei nervosa, mas pensei que tinha que mostrar que eu era capaz,

lembra Daniella, com orgulho. A motorista conta que juntou dinheiro durante anos para adquirir o caminhão guincho: era o seu sonho e só ela poderia torná-lo realidade.

Pouco depois, separou-se do marido. Daniella tem uma filha de 17 anos e um filho de 19. Os dois apoiam o trabalho da mãe – mas, por enquanto, apenas Rafaela manifestou interesse em seguir a profissão da mãe.


Na batalha

Daniella trabalha como esteticista há cerca de cinco anos, com atividades como drenagem linfática, limpeza de pele e massagem redutora de medidas. Gosta de andar sempre bem arrumada e maquiada. Ao operar o guincho, sente-se mais confortável com um uniforme. Antes de entrar na estética, trabalhava em uma loja de roupas. Recentemente, fez curso de operação de empilhadeiras. Ela gosta dos dois universos: o da beleza e o dos grandes veículos. “Quando falo que sou caminhoneira, muita gente não acredita. Às vezes, preciso mostrar a carteira de habilitação”, conta Daniella.


Para a motorista, é importante saber como é a vida de outras mulheres caminhoneiras: “Tem preconceito, e é bom saber que não estamos sozinhas”. Por isso, acompanha as histórias da página De Carona com Elas. Nas rodovias, confia nos posts Petrobras quando enfrenta momentos de emergência: “Uma vez fiquei uma noite inteira em um posto esperando ajuda – o caminhão estragou e eu estava sem celular. Me senti tranquila e segura”.


Dona da própria vida

Mesmo diante das dificuldades, Daniella não é de deixar o medo bloquear as atitudes. O segredo? “Nunca deixe ninguém falar que você não é capaz. Mantenha a cabeça erguida e acredite em você mesma” – a dica vem com a sabedoria de quem, com esforço, construiu a vida dos seus sonhos, mesmo que isso signifique conciliar atividades que outras pessoas poderiam considerar incompatíveis. Daniella é pura inspiração para quem precisa assumir as próprias escolhas e deixar pra lá o que os outros pensam. Você também está nessa estrada?

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