Nove mulheres com mensagens simples e cheias de poder

Você já tentou fazer alguma coisa que todo mundo parece achar fácil, menos você? Para muita gente, essa é frustração de começar a dirigir. Tem quem pense que não nasceu para isso mesmo, que deve ser melhor desistir. Tem quem insista a ponto de sentir o corpo todo tremer, as mãos suarem, o choro tomar conta, o coração parecer que vai sair pela boca. Tem quem se sinta solitário nesse processo – aqueles que imaginam que são donos de todo o medo do mundo, e que todos os outros motoristas são e sempre foram corajosos.

O que muitas mulheres descobrem ao participarem da página Petrobras De Carona com Elas é algo muito simples e poderoso: isso não é uma exclusividade feminina, e elas não estão sozinhas. E mais: dividir as próprias dificuldades e conquistas torna essa jornada muito mais leve.


Na página do Facebook, elas oferecem palavras de apoio e motivação, contam suas histórias e encontram, entre si, dezenas de outras com desafios semelhantes.

“Eu comecei a acompanhar logo que comecei a dirigir. Eu via que outras mulheres também não conseguiam trocar a marcha, deixavam o carro morrer. Eu me via naquilo! Ao ver os depoimentos de superação, eu pensava que eu também poderia conseguir. Eu fui buscar incentivo e, sem perceber, a gente acaba ajudando as outras também”,

conta Cimara Câmara, 41 anos, motorista há três anos.

Cimara é uma das participantes da campanha No Volante Sem Medo, que escolheu nove comentários, entre milhares, para servirem de inspiração para três artistas. Ana Paula Zonta, Nina Moraes e Vanessa Kinoshita ilustraram as frases. Os cartazes estão disponíveis no site da campanha e podem ser impressos, salvos ou compartilhados para que a inspiração dessa comunidade se espalhe pelo mundo. A mensagem de Cimara é como um mantra que ela adota em diversas áreas da vida: “Não dou ouvidos aos que não acreditam na minha força”.


As mulheres chegam à página por diferentes caminhos ou motivos, e suas dificuldades também são diferentes. Joeline Brito, de 43 anos, conquistou a CNH em 2013, mas só começou a dirigir dois anos depois. Ela conta que algum amigo compartilhou um post e ela se interessou pela página. Inicialmente, gostou das dicas práticas, das informações sobre trânsito e manutenção do veículo.

Hoje, gosta também de ver como as mulheres apoiam umas às outras:

“Eu digo para as minhas amigas que, se eu consegui, elas vão conseguir. Mais medrosa do que eu, não tinha. Mais dependente do que eu, também não. Acho que a página vem para aconselhar, dar dicas e mostrar que você não é a única com dificuldades”.


Arte: Vanessa Kinoshita

 

Joeline recebeu da mãe os maiores incentivos para finalmente assumir o volante. Buscou tratamento psicológico para superar o desafio – uma experiência comum a muitas das participantes.


Para Juliana Bento, de 27 anos, a comunidade tem ainda outra função:

“Além de motivar as mulheres a dirigir, motiva também as mulheres a fazerem parte de um mundo que muitos dizem que é só para homens. Eu, além de dirigir, cuido do meu carro, faço as revisões. Algumas mulheres são apaixonadas por carros e não têm com quem conversar”.

 

A paixão, Juliana herdou do pai – o que não quer dizer que o processo de começar a dirigir tenha sido fácil.

Na hora da prova, o nervosismo tomava conta e o medo de errar bloqueava a candidata, que perdeu as contas do número de tentativas até, finalmente, conseguir passar no exame. Seu comentário é daqueles que servem para inspirar qualquer pessoa: “Não deixe o medo ser maior que seus sonhos”.

Arte: Ana Paula Zonta


Nagila Arruda, 36 anos, também fala sobre superar o medo: “Não deixem que o medo e o nervosismo as impeçam de ir em frente”. Seu medo veio depois da prova, quando foi pegar o carro sozinha pela primeira vez. Ela fala não apenas pela própria experiência, mas pelo que vê nas amigas: “Eu amo a página. Indico para minhas amigas. Tenho uma que tirou carteira agora, tem carro, mas não sai. O medo bloqueia totalmente”.

Ao renovar a habilitação, Nagila pensa em trocar de categoria, para poder dirigir veículos coletivos:
“Vi na página a história de uma motorista de ônibus que também começou com veículos pequenos. Agora penso em fazer o mesmo”.

 

Arte:Nina Moraes

 

Nagila sente-se uma vitoriosa e, por isso, sentiu orgulho ao saber que seu comentário havia sido escolhido.

“Como eu achei bom ter pessoas que me incentivaram, também quero fazer isso pelas colegas que ainda estão nessa fase do medo, que ainda não têm aquela prática. Sei como isso atrapalha”, comenta.


Deixar o medo completamente de lado? A visão de Regiane Faria, 37 anos, é um pouquinho diferente:

“O medo sempre existe e uma dose dele também é preciso ter”.

Ela concorda que o medo não deve ser maior que a vontade e que a persistência, mas acredita que, em doses certas, significa prudência – uma excelente qualidade para se ter ao volante.


Arte: Vanessa Kinoshita

Regiane conta que conheceu a página Petrobras De Carona com Elas depois de conquistar a CNH, uma vontade que havia ficado adormecida desde seus 19 anos. Naquela época, o nervosismo na hora da prova de habilitação foi tão grande que ela chegou à conclusão de que não havia nascido para o volante. Tudo mudou há menos de um ano, pouco depois do nascimento do segundo filho, Gabriel, com Síndrome de Down. Com ele, cresceu a vontade de ter mais independência para poder encaixar com mais tranquilidade na rotina todas as atividades da família. A persistência e o apoio do marido foram fundamentais para Regiane não perder a determinação até passar na prova prática, em sua sexta tentativa.

Na página, Regiane encontra histórias e comentários que a inspiram, de mulheres que venceram obstáculos e se tornaram excelentes motoristas, mas também de outras que acabam se sentindo frustradas por causa do medo. Por isso, ela quis deixar uma mensagem de incentivo. Ela sabe que a confiança vem com o tempo e recomenda: “Nunca pense que o seu medo é maior que o de outras pessoas”.


Reconhecer os próprios limites e respeitar o próprio tempo foi o que Clara Soares, 25 anos, aprendeu ao, finalmente, decidir que tiraria o carro da garagem. Habilitada, sentia medo de tudo no trânsito: “Eu sabia que eu não faria nada de errado, mas tinha medo dos outros motoristas. As pessoas andam na contramão, passam onde não é para passar. Eu não acreditava que os outros motoristas estavam preocupados com segurança”.

Um dia, acordou decidida a assumir o volante. No começo, conta que parava diversas vezes ao longo do trajeto: “Chegava aos lugares suada, tremendo, descabelada, com cara de choro”. Ela sabia, porém, que precisava respeitar seus próprios limites. Saía de casa pelo menos 30 minutos antes dos compromissos para poder parar quantas vezes precisasse. Por isso, seu comentário fala em “prosseguir sempre, respeitando o meu tempo e não o tempo que esperam que eu tenha”.

Ela conta que deixou uma única mensagem na página, mas começou a observar um efeito em cadeia:

“Uma falava uma coisa que completava a outra, como uma comunidade. Cada uma trazendo uma lição para motivar a outra. E eu pensei: ‘Nossa! Por que a gente não tem mais coisas como esta?’ A gente vê tantas páginas que propagam ódio. Ali, vemos todas essas mensagens positivas juntas, isso é quase uma terapia. Às vezes, uma palavra é tudo que uma pessoa precisa, uma palavra é tudo.”


Uma palavra de apoio é o que Carla Cristina de Souza, 30 anos, sempre tem a oferecer: “Eu incentivo todo mundo! Falo que é questão de praticar e repito uma coisa que ouvi, que ninguém nasceu aprendendo a andar e você não desiste de aprender a andar porque caiu uma vez. Você vai e, uma hora, consegue”. Na página Petrobras De Carona com Elas, gosta de ler histórias das outras participantes, tanto das que ainda estão tentando, como as que já conseguiram e trazem palavras de motivação: “Acho que toda mulher tem uma história boa para contar, né? Tem as que nunca tiveram medo – mesmo essas servem para incentivar a gente.

 

Umas passam por isso com mais facilidade, outras não – mas todas têm uma boa história para contar”.

Receber uma obra de arte com seu comentário em destaque foi uma surpresa e uma felicidade:

“A melhor parte é saber que vou incentivar alguém”, comemora.

Ter essas palavras como um quadro na parede é mesmo algo poderoso: “Eu quero, eu posso, eu consigo. Temos que ter foco.”


Cristiane Benites, 48 anos, hoje também gosta de motivar todos ao redor. Ela aprendeu a dirigir recentemente, apenas depois que a filha caçula tirou a CNH. “Às vezes, a gente acha que só a gente passa por aquilo, mas quando compartilha, vê que outras pessoas também têm dificuldades. Não sou só eu”, comenta Cristiane ao explicar porque considera essas trocas importantes.

Ela reconhece que dirigir só é fácil depois que a gente aprende: “São muitos comandos que precisamos dominar, então, quando as pessoas entram no carro pela primeira vez, encontram essa dificuldade e param. Por isso, acho fundamental estimular outras pessoas”.

 

Arte: Ana Paula Zonta

Para ela, a direção não é só uma questão de mobilidade, é também uma questão de cidadania, de liberdade para ir e vir.

Ao ter seu comentário selecionado para a campanha, ficou muito lisonjeada de ter sua história valorizada. Sua frase é uma lição de vida: “Não deixe que ninguém diga o que vocês são ou não são capazes de fazer”.


Ana Beatriz Alcantara, 33 anos, já teve sua história contada pela página Petrobras De Carona com Elas, no mês em que homenageamos as mães. É que ela e a mãe aprenderam a dirigir juntas, em um momento de grande dificuldade, após a morte do pai. Foram reprovadas juntas na primeira prova e aprovadas na segunda tentativa. Ela conta que, até hoje, segue recebendo e respondendo comentários:

 

Arte: Nina Moraes

“Eu fiquei lisonjeada ao ver a repercussão. Ver a nossa história ser mostrada, sendo colocada como algo possível para outras pessoas, é muito legal”.

Ao ver o cartaz criado por Nina Moraes para sua mensagem, Ana Beatriz ficou emocionada:
“Achei lindo. A artista usou bastante o azul, que me remete alguma coisa do céu azul e do infinito – de possibilidades ilimitadas.

E acho que dirigir é um pouco isso: romper uma barreira que, quando você transpassa, abre um mundo de autoconfiança. Não é só o carro. É a nossa vida”.

Sua mensagem tem a ver com a sua experiência com a mãe, mas, no final das contas, também tem a ver com o que milhares de mulheres vivenciam na página Petrobras De Carona com Elas: “Aprendemos a dirigir além de um automóvel juntas, aprendemos a dirigir as nossas vidas juntas.”

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